A partir desta segunda-feira (1º), empresas que exportam produtos alimentícios à China estão sujeitos às regras do Decreto nº 280 da Administração Geral de Alfândegas da China (GAC), que estabelece novo regulamento para o registro de fabricantes estrangeiros.
Além de ampliar as exigências para manter instalações de armazenamento no exterior, o decreto ainda estabelece novo sistema de registro desses produtos por meio de avaliação de risco.
Produtores de 17 categorias consideradas de maior risco sanitário devem ser diretamente afetados, como carne e derivados, produtos lácteos, ovos, produtos aquáticos, alimentos para fins dietéticos especiais, óleos comestíveis, frutas secas e vegetais desidratados.
O novo modelo não retira os registros concedidos sob o Decretonº 248, que foi substituído pelo nº 280. Dessa forma, as empresas precisam garantir um relatório de inspeção e carta de recomendação da autoridade competente do país de origem para enviar sua solicitação de permissão ao GAC.
China é principal destino das exportações brasileiras
Entre os principais destinos das exportações do agro brasileiro em abril deste ano, a China permaneceu na liderança, com compras de US$ 6,6 bilhões em abril e participação próxima de 40% na pauta exportadora do setor. Esse resultado representa crescimento de 21,8% em relação ao mesmo mês de 2025.
O Brasilianista também mostrou que a União Europeia (UE) ocupou a segunda posição, com US$ 2,36 bilhões em compras de produtos brasileiros e participação de 14%, crescimento de 8,7% em relação a abril de 2025. Vale lembrar que a UE indicou que não deve mais receber carnes do Brasil por uma questão sanitária a partir do segundo semestre.
Por fim, os Estados Unidos aparecem em terceiro lugar, com US$ 1 bilhão exportado e 6% de participação, apesar do recuo de 16,8% nas compras em relação a um ano atrás.
No mês de abril, para além da soja, a carne bovina in natura também registrou desempenho histórico, com exportações de US$ 1,6 bilhão, alta de 29,4%, e embarques de 252 mil toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual. A China foi o país que mais recebeu a proteína brasileira, representando mais da metade das vendas (55,8%), com US$ 877,4 milhões em compras.
Veja os segmentos de maior destaque nas exportações:
- Complexo soja: US$ 8,1 bilhões e alta de 20,4%;
- Proteínas animais: US$ 3 bilhões e crescimento de 18%;
- Produtos florestais: US$ 1,4 bilhão e avanço de 8,6%;
- Café: US$ 1,2 bilhão, apesar do recuo de 12,1%.
O agronegócio brasileiro ampliou sua dependência da China nos últimos anos, com o país asiático absorvendo 29,3% das exportações totais do Brasil e liderando com folga como principal destino dos produtos agrícolas. As informações são do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
Importância para o Brasil
A influência chinesa no agronegócio brasileiro se estende à base produtiva. O Brasil importa 43% dos defensivos agrícolas utilizados no país da China, enquanto os Estados Unidos respondem por 18%.
A atuação também ocorre por meio de investimentos diretos em infraestrutura e produção. Entre 2023 e 2024, os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 6,5 bilhões, o maior volume na América Latina.
Empresas chinesas atuam em diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo originação, armazenagem, processamento e exportação de grãos.

