Nesta segunda-feira (01), a Polícia Civil deflagra a Operação WI-FI, investigação de uma possível fraude de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), cuja proprietária Karina Ferreira da Gama é sócia da empresa responsável pela produção do filme de Jair Bolsonaro, Dark Horse.
O pedido partiu do Ministério Público estadual e tem como objetivo analisar a existência ou não de desvios neste acordo. A ação também abre mais um capítulo dos já conturbados bastidores do filme, após vazamento de áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, além do investimento de 90% do banqueiro para a realização do longa-metragem.
Como os eleitores reagiram aos últimos acontecimentos ligados ao Dark Horse?
Um levantamento do Instituto Democracia em Cheque analisou o impacto de Flávio Bolsonaro diante das últimas polêmicas envolvendo Dark Horse. A principal descoberta é de que o grau de conhecimento sobre o caso está diretamente relacionado ao quão “nocivo” o eleitor o enxerga.
Em outras palavras, quem conhece profundamente o caso, tem a impressão que ele com certeza teria forte impacto nas eleições deste ano. Já aqueles com pouco conhecimento, não julgaram haver um impacto tão perceptivo.
Há um consenso entre os brasileiros
Apesar disso, todos os grupos parecem ter um sentimento em comum: o envolvimento financeiro entre Vorcaro e Flávio traz uma suspeita de corrupção, independentemente de incluir um financiamento privado. Nessa mesma linha, o que mais incomoda o eleitorado é o “jeito de ser” do filho de Jair, classificado como “irônico”, “omisso” e com diferentes “versões”.
A “velha ideia” do Brasileiro de “todos roubam” segue e acaba sendo favorável ao candidato do PL, uma vez que muitos acreditam que Lula/PT também sejam “corruptos”.
Há espaço para uma terceira via?
As últimas pesquisas eleitorais evidenciam um Brasil altamente polarizado. Os votos se dividem entre Lula e Flávio, sobrando pouco espaço para outras alternativas, como Caiado e Zema. Na análise do IDC, os eleitores não se opõem a votar em um candidato que fuja desses polos, contudo poucos deles conhecem outras opções.
Sobre o filme “Dark Horse”
Em tradução livre, o filme “Azarão” retrata a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018. A obra foi produzida nos Estados Unidos e traz no papel principal Jim Caviezel. De acordo com informações prévias e o próprio trailer, o ex-presidente é abordado sob uma narrativa heroica.
O filme virou alvo de investigações após o vazamento de áudios entre Flávio e Vorcaro, que responde por uma fraude bancária bilionária do Master. O dono do banco teria investido R$ 134 milhões para a produção do longa. Apesar de negar em um primeiro momento, o candidato do PL confirmou o financiamento tempos depois, o que instaurou uma crise dentro do partido e até entre apoiadores.
É importante ressaltar que não há informações sobre algum crime cometido por Flávio Bolsonaro, mas o vínculo e a mudança de discurso de Flávio pesaram na visão dos brasileiros.

