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Economia

O plano de R$ 65 bilhões da Raízen

A companhia está em processo de recuperação extrajudicial

O plano de R$ 65 bilhões da Raízen

A Raízen publicou nesta quarta-feira (03) seu plano de reestruturação financeira. A empresa está em recuperação extrajudicial.

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A companhia iniciou o processo em março deste ano, buscando equilibrar seu orçamento, bastante impactado pela alta do dólar devido aos investimentos feitos pela companhia com empréstimos e outros aportes que precisarão ser pagos aos credores.

A recuperação abarca uma dívida de pouco mais de R$ 65 bilhões. Parte desse rombo será coberto com R$ 3,5 bilhões que serão aportados pela Shell, uma das sócias da Raízen junto com Rubens Ometto.

O aporte da Shell é um dos pontos que tem mantido ativas as negociações entre a Raízen e os credores, pois parte deles quer a saída de Ometto da gestão da empresa.

O que prevê o plano de recuperação?

O plano anunciado nesta quarta prevê três opções de pagamento aos credores. Na opção A, a companhia espera injeção de capital pelo aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell a R$ 0,25 por ação no fechamento. Há um potencial aporte adicional de R$500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A.. Por fim, os novos valores de ações também contarão para reunir o montante a ser pago.

A Raízen, então, deve converter 45% da dívida total reestruturada a R$ 0,25 por ação, credores receberão Units (1 ON + 1 PN) e a companhia passará a contar com programa de ADS/ADR Nível 1.

O plano ainda pretende converter 55% da dívida total reestruturada em novos instrumentos de dívida, alocados entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia de acordo com os seguintes princípios:

  • Raízen Energia: 17.6%;
  • Raízen Combustíveis: 37.4%

Credores poderão optar por receber dívida reestruturada na mesma moeda de seus créditos existentes (BRL, USD e potencialmenteem EUR).

Os vencimentos seriam em 31 de março de 2033 e de 2035 para a Raízen Energia. Já a Combustíveis teria que cumprir vencimentos a partir de 31 de março de 2032 e de 2034.

Opção B

Na opção B, a Raízen Energia separa 80% do valor do crédito, que ficará sujeito à reestruturação. O deságio será aplicado primeiramente sobre os juros acruados e, posteriormente, sobre o principal dos respectivos créditos. O vencimento cai no dia 31 de março de 2047.

A atualização monetária será feita pela Taxa Referencial (TR) a partir da data de fechamento até o vencimento (BRL). A modificação não será realizada para créditos denominados em USD e EUR.

O pré-pagamento será opcional, mediante pagamento do valor presente descontado do principal (total ou parcial), acrescido dos juros acumulados até a data de exercício.

Opção C

Nesse último caso, o pagamento em caixa será equivalente ao menor valor entre: 75% dos respectivos créditos ou R$ 9,750.00. O deságio será aplicado primeiramente sobre os juros acruados, da mesma maneira que a opção B.

O pagamento em caixa estará sujeito a um limite agregado de R$ 150 milhões. Caso a demanda pela Opção C seja superior ao limite, a alocação entre os credores elegíveis será realizada de forma progressiva, em ordem crescente do valor dos créditos, priorizando os credores detentores dos menores créditos, até o consumointegral do limite.

Nesse caso, credores não contemplados pela Opção C serão pagos de acordo com opção de pagamento alternativa eleita por eles. Caso a demanda pela Opção C seja inferior ao limite agregado, o saldo de caixa não utilizado será retido para capital de giro.

Raízen está incomodando setor de combustíveis

O Brasilianista mostrou que uma parceria iniciada em junho de 2024 entre Raízen e Federal Energia incomodou o setor de distribuição de combustíveis devido aos temores de que a atuação conjunta das duas companhias garanta preços abaixo dos cobrados, prejudicando seus negócios.

O incômodo é calcado em três vertentes. A primeira são os mais de 125 milhões de litros de combustível vendidos pela Federal Energia à Raízen e a uma das subsdiárias da companhia, a Petróleo Sabba, apenas entre junho e outubro de 2024.

A segunda são dois acordos de cessão de uso de espaço pela Raízen à Federal Energia em plantas de distribuição no Ceará e no Pará, onde são produzidos mensalmente 6,8 mil m³ de gasolina e diesel. E a terceira, por sua vez, são os R$ 980 milhões de reais em créditos tributários que a Federal Energia detém junto à União.

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