Uma mudança foi registrada na semana passada no topo do poder libertário argentino quando a senadora Patricia Bullrich pediu publicamente a declaração juramentada do Chefe de Gabinete de Ministros, acusado de enriquecimento ilícito.
Até agora, Javier Milei não havia tido tanta consideração por um partidário seu que o contradissesse publicamente. Por muito menos do que disse Patricia Bullrich, ele demitiu ministros, funcionários ou afastou legisladores.
Não satisfeita com isso, Bullrich insistiu em seu pedido poucos dias depois. Diante do silêncio oficial, esta semana voltou a pressionar ao se desvincular de uma iniciativa claramente identificada com Karina, a irmã do Presidente, que solicitou a retirada da indicação de uma juíza proposta para um tribunal federal, cuja tramitação havia começado a receber pareceres devido à descoberta tardia de que se tratava da cunhada do jornalista investigativo Hugo Alconada Mon.
Após o episódio, Karina Milei negou divergências com Bullrich e, diante dos crescentes rumores, o Governo divulgou uma foto delas reunidas “trabalhando sempre juntas pelas transformações impulsionadas pelo Presidente Milei”.
Em voz baixa, fontes próximas a senadora asseguram que não há, no espaço político, lugar para uma candidatura que não seja a de Milei, o que, a julgar pelo atual estado das pesquisas, é um raciocínio válido. Mas será preciso ver o que aconteceria se o Presidente perdesse o apoio do público ou se, tal como afirmamos habitualmente nestas colunas, desistisse de uma reeleição.
Outro dado: até o momento, Milei não havia permitido nenhuma outra liderança aliada que não fosse a sua. Agora está permitindo alguém com pensamento e voo próprios que, além disso, foi sua concorrente nas eleições gerais de 2023 e aliada para o segundo turno contra o kirchnerismo.
Agora, dentro do oficialismo, chega-se até a questionar a estratégia que o mileísmo aplicou em 2025 de competir contra os governadores para conquistar seus territórios e que começou a deixar em evidência o divórcio agora consagrado na cúpula do poder entre Karina e o assessor presidencial Santiago Caputo.
Algo aconteceu no subsolo político argentino.

