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Economia

Após rebaixamento do BRB pela S&P, o que acontece com a instituição financeira?

Segundo a agência, insuficiências de recursos podem levar à liquidação do banco

Após rebaixamento do BRB pela S&P, o que acontece com a instituição financeira?

Em comunicado, a agência S&P Global divulgou o rebaixamento de rating do Banco de Brasília (BRB) em escala nacional. A medida é comentada por investidores em todo o país, pelo risco de liquidação corrido pela instituição financeira.

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Segundo a divulgação da agência, o BRB enfrenta desafios desde a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF) acerca do Banco Master. De acordo com nota, apesar de existir um cronograma de capitalização e recuperação, as medidas são complexas e dependem da condição do mercado, fluxos de recursos estatais e dinâmicas institucionais.

Em entrevista para O Brasilianista, o especialista em em investimentos do grupo Axia Investing, Felipe Sant’Anna, comenta que o rebaixamento de crédito não é uma surpresa para o mercado. “Como deteriorou muito a possibilidade do banco conseguir capitalizar, seja pelas diferentes discussões, nas diferentes esferas públicas, ninguém quer ser o pai da criança nesse momento”, afirma.

Segundo o especialista, o risco da instituição financeira com o rebaixamento é a fuga de capital por investidores. “Toda essa discussão gera sempre um cenário de cautela, impasse, que afasta os investidores”, comenta. “Nesse momento, sempre há uma certa fuga de capital em que você tem conta. Se ele começa a mostrar problemas, ainda que seja de forma lenta, a gente vai removendo os ativos de lá. É natural, é um instinto de proteção do poupador, do investidor”.

Dificuldade de capitalização

Sant’Anna comenta que, com a nota divulgada pela S&P, a instituição financeira pode encontrar com maior dificuldade de capitalização. Isso, pois, muitos fundos possuem regras próprias para aplicação, que impedem o investimento em determinados ativos. Entre as normas, está o selo de classificação.

Desta maneira, a classificação brCCC+ do Banco de Brasília está abaixo de outros ativos do mercado, não sendo tão atrativo para investidores ou fundos de investimento. “Muitos desses fundos e investidores não podem, não é que eles não querem, eles não podem investir por regras próprias. Não podem colocar dinheiro bom em cima de problemas ou dinheiro ruim”, explica o especialista.

Histórico do BRB e Master

Em março de 2025, o BRB anunciou a aquisição do Banco Master. Um ano depois, a instituição financeira buscava recuperação financeira após os desdobramentos do Caso Master. Segundo apurou O Brasilianista, uma auditoria independente foi contratada para averiguar as operações entre Master e BRB, indicando uma soma de R$ 21,9 bilhões entre as instituições.

Conforme apurou O Brasilianista, a Polícia Federal (PF) apontou a negociação de seis imóveis entre Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Segundo dados da PF, as propriedades estão localizadas em Brasília e em São Paulo, e avaliadas em cerca de R$ 140 milhões.

Segundo informações investigadas e troca de mensagens vazadas, os imóveis eram uma moeda de troca para favorecer a operações entre as duas instituições financeiras. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente após a condenação de Vorcaro.

Empréstimo do Fundo Garantidor de Dano (FGD)

A União e o Governo do Distrito Federal firmaram acordo em maio de 2026, garantindo um empréstimo para evitar a liquidação da instituição financeira do BRB. De acordo com apuração de O Brasilianista, a proposta prevê 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) ao Distrito Federal. Para a assinatura do termo, foi necessária a fiação do sindicato dos bancos como garantia.

Segundo O Brasilianista, o atual presidente do BRB, Nelson de Souza, afirma que a instituição não irá quebrar. Isso, pois, conforme o presidente, a empresa está cada vez mais sólida, e a situação do banco exige medidas transparentes, responsáveis e decisões firmes.

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