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Justiça

Delação de Vorcaro cita Rueda, presidente do União Brasil

Nova versão da colaboração amplia o alcance político das investigações sobre o Banco Master

Delação de Vorcaro cita Rueda, presidente do União Brasil

A nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) acrescentou novos nomes e episódios ao caso Banco Master.

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O material entregue pela defesa do empresário passou a citar supostos pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia. A informação noticiada nesta quarta-feira (10) pelo Metrópoles foi adiantada por O Brasilianista em 6 de maio — clique aqui para ler.

A colaboração está sob análise das autoridades e ainda não foi homologada. Os repasses relacionados a Rueda teriam ocorrido por meio de um escritório de advocacia ligado ao dirigente partidário. O presidente do União Brasil nega ter cometido crimes, mas confirmou que seu escritório prestou serviços a Vorcaro.

O material também menciona supostos pagamentos vinculados à operação do programa Credcesta na Bahia, período em que o Banco Master atuou no estado.

A nova versão da delação surge após a rejeição da primeira proposta apresentada por Vorcaro e amplia o escopo das informações fornecidas aos investigadores.

O banqueiro tenta negociar um acordo de colaboração enquanto permanece no centro das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.

Ligação com o Rioprevidência entra novamente no radar

A citação a Antônio Rueda também reacende discussões sobre a estrutura de indicações envolvendo fundos previdenciários que mantiveram relações com o Banco Master.

Como O Brasilianista revelou em janeiro deste ano, o presidente do União Brasil teria sido o responsável pela indicação de Deivis Marcon Antunes para a presidência do Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a reportagem, fontes da política fluminense afirmaram que o então governador Cláudio Castro apenas cumpriu a indicação articulada por Rueda dentro de um acordo político envolvendo lideranças do PL e do União Brasil.

A nomeação ocorreu antes da operação da Polícia Federal que teve como alvo a gestão do Rioprevidência. O caso ganhou relevância porque o fundo realizou aportes bilionários em papéis e fundos relacionados ao Banco Master, tema que passou a ser acompanhado pelos investigadores.

O nome de Deivis Marcon Antunes também apareceu em outras frentes de apuração relacionadas à movimentação de recursos previdenciários e investimentos vinculados ao mercado financeiro.

Credcesta amplia foco sobre a Bahia

A nova delação também leva as investigações para a Bahia. Vorcaro menciona supostos pagamentos realizados como contrapartida à operação do Credcesta no estado.

O programa funciona por meio de cartão consignado destinado a servidores públicos ativos e aposentados, com desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento. O Banco Master operou o serviço entre 2018 e 2022.

Durante esse período, o governo baiano era comandado por Rui Costa, atualmente ministro da Casa Civil. Rui já afirmou publicamente que teve apenas um encontro institucional com Vorcaro e defendeu a continuidade das investigações sobre o caso.

A inclusão de integrantes do PT baiano na nova proposta amplia o alcance político da delação, que já havia mencionado anteriormente autoridades de diferentes partidos e estados.

Pernambuco entra na investigação dos fundos previdenciários

As apurações envolvendo recursos previdenciários ganharam um novo capítulo nesta quarta-feira (10). A Polícia Federal deflagrou a Operação Take Over para investigar possíveis irregularidades na gestão dos recursos do PreviPaulista, fundo previdenciário dos servidores municipais de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

Segundo a investigação, aproximadamente R$ 3 milhões teriam sido direcionados para investimentos considerados de alto risco ligados ao Banco Master.

A PF apura se as aplicações ocorreram em desacordo com normas legais e regras de governança exigidas para recursos previdenciários públicos.

Os investigadores identificaram trocas de mensagens entre uma assessora comercial do Banco Master e integrantes da administração do fundo previdenciário pernambucano. A partir desse material, a Polícia Federal passou a aprofundar a análise sobre a origem e o destino dos recursos investidos.

As buscas foram realizadas em endereços de Pernambuco e do Rio de Janeiro. A investigação procura esclarecer se houve gestão temerária, fraude financeira ou eventual pagamento de vantagens indevidas a gestores responsáveis pelas decisões de investimento.

Caso Master segue em expansão

A nova delação apresentada por Vorcaro se soma a uma série de frentes investigativas abertas nos últimos meses envolvendo o Banco Master, fundos de previdência, agentes políticos e operações financeiras realizadas em diferentes estados.

O material também mantém referências a supostos pagamentos destinados ao senador Ciro Nogueira e ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Ambos negam irregularidades.

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