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Economia

Dívida tributária bilionária da Raízen coloca em dúvida o futuro da recuperação extrajudicial

São R$ 25 bilhões divididos entre PIS e Cofins, ICMS e demais contingências tributárias

Dívida tributária bilionária da Raízen coloca em dúvida o futuro da recuperação extrajudicial

Apesar de a Raízen ter protocolado seu plano de recuperação extrajudicial na Justiça com apoio de 75% dos credores, ainda há dúvidas quanto à capacidade de pagamento da empresa no longo prazo. Um dos motivos envolve os R$ 25 bilhões em dívidas tributárias da empresa discutidos no Judiciário brasileiro.

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A informação foi passada a O Brasilianista por fontes com conhecimento das negociações do plano de recuperação extrajudicial da Raízen.

A empresa é a maior do setor brasileiro de distribuição e refino de combustível. A companhia registrou receita líquida trimestral de R$ 60,4 bilhões no 3º trimestre da safra 2025/2026 graças ao trabalho de 46 mil funcionários nos empreendimentos da companhia, que incluem uma refinaria, duas plantas de lubrificantes, 35 usinas de produção de açúcar, etanol e bioenergia, 70 bases de distribuição de combustíveis, 68 bases de abastecimento em aeroportos e 8.000 postos com a marca Shell no Brasil, na Argentina e no Paraguai.

Porém, os R$ 25 bilhões em tributos discutidos judicialmente em Cortes estaduais e federais representam quase 10% dos R$ 255,3 bilhões faturados pela Raízen no ano-safra 2024/2025. Desse total, quase R$ 12 bilhões são referentes a PIS e Cofins, R$ 4 bilhões envolvem cobranças de ICMS em diversos estados brasileiros e pouco mais de R$ 9 bilhões tratam de demais contingências tributárias.

Em documentos internos, a Raízen já considera esses valores como dívida certa, classificando-os perdas “prováveis” ou “possíveis”.

Especificamente no estado de São Paulo, a Raízen aparece três vezes na lista dos 500 maiores devedores ao erário paulista pela Procuradoria-Geral estadual. Dados de fevereiro deste ano mostram a Raízen Energia S/A na 48ª posição, com R$ 770,4 milhões em impostos devidos; a Raízen Centro-Sul Paulista S/A na 231ª posição, com dívida tributária de R$ 245,4 milhões, e a Raízen Tarumã Ltda na 331ª posição, como passivo tributário de R$ 176,3 milhões.

Somadas, as dívidas das três companhias inscritas na dívida ativa paulista são de quase R$ 1,2 bilhão.

A parceria de negócios firmada entre Cosan e Shell para criar a Raízen prevê contratualmente que as duas empresas devem cobrir os passivos anteriores à união operacional oficializada em 2011. Porém, esse compromisso cobre apenas R$ 7,2 bilhões das contingências tributárias.

Enquanto isso, Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Raízen, recebeu R$ 57,4 milhões em bônus em 2023. O valor representa 75% de toda a remuneração do colegiado da companhia. Para o período 2025/2026, estima-se que o valor a ser pago a Ometto seja de R$ 60 milhões. Esses montantes são calculados com métricas de performance atreladas aos resultados da Cosan e da Shell.

Esse contexto se soma ao que já noticiou O Brasilianista, sobre a parceria da Raízen com a Federal Energia. Essa segunda companhia, por conta de seu tamanho, tem direito a créditos tributários que acabam beneficiando a companhia controlada por Cosan e Shell.

Questionada por O Brasilianista, a Raízen informou que não irá se manifestar.

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