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Justiça

Vorcaro pagava mesada de R$ 300 mil a grupo ligado a Ciro

Mensagens obtidas pelos investigadores mencionam pagamentos recorrentes relacionados à BRGD

Vorcaro pagava mesada de R$ 300 mil a grupo ligado a Ciro

As mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) indicam a existência de pagamentos mensais de R$ 300 mil relacionados à BRGD, empresa ligada à família do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

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Os diálogos foram encontrados durante a investigação sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e passaram a integrar o conjunto de elementos examinados pelos investigadores.

Segundo reportagem da revista Piauí, o material analisado pela PF reúne registros de conversas, viagens, movimentações financeiras e outros benefícios atribuídos a Vorcaro.

Entre os documentos estão três mensagens trocadas em 2024 que tratam especificamente da continuidade de pagamentos identificados como “300k” destinados ao grupo relacionado à BRGD.

Mensagens tratam de pagamentos recorrentes

As conversas ocorreram nos dias 21 e 24 de junho e em 25 de julho de 2024.

Em uma delas, Felipe Vorcaro questiona o primo banqueiro sobre a manutenção dos pagamentos destinados ao “pessoal que investiu” na BRGD, empresa ligada à família do senador.

Daniel Vorcaro respondeu afirmativamente, autorizando a continuidade dos repasses mencionados nas mensagens.

O diálogo passou a ser analisado pela Polícia Federal para identificar a origem dos recursos, os beneficiários efetivos e a finalidade dos pagamentos.

O conteúdo das conversas ganhou relevância dentro do inquérito por tratar de transferências recorrentes e não de uma operação isolada.

Por esse motivo, os investigadores passaram a examinar a frequência dos repasses e sua eventual relação com outros fatos citados nos documentos reunidos durante a apuração.

Empresa da família entrou no radar da investigação

Os registros mencionam a BRGD como destinatária dos pagamentos discutidos entre os interlocutores.

A empresa é vinculada à família de Ciro Nogueira e aparece nos documentos obtidos pelos investigadores durante a análise do material apreendido.

A Polícia Federal busca esclarecer se os valores tinham natureza empresarial, financeira ou pessoal.

Os investigadores também analisam se os pagamentos possuíam alguma contrapartida ou ligação com outros episódios descritos no inquérito.

Os documentos examinados até o momento não apresentam uma conclusão definitiva sobre os repasses.

A apuração segue concentrada na reconstrução do fluxo financeiro citado nas mensagens e na identificação dos responsáveis pelas operações mencionadas.

Relação financeira é um dos focos da PF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), registrou que os elementos reunidos pela Polícia Federal apontavam para uma relação que poderia extrapolar uma simples amizade.

A observação foi feita ao autorizar novas medidas investigativas no caso.

Além dos pagamentos mensais mencionados nas conversas, os documentos analisados pela PF fazem referência a outros benefícios atribuídos ao banqueiro.

Contas milionárias na neve

Como mostrou O Brasilianista, os documentos analisados pelos investigadores apontam que a viagem de Ciro Nogueira e Flávia Rosalen para Courchevel teve custo total de R$ 1.849.201.

Segundo os registros citados na investigação, o casal permaneceu 13 dias na estação de esqui dos Alpes Franceses em janeiro de 2025, com despesas custeadas por Daniel Vorcaro.

O material reúne informações sobre hospedagem, alimentação e outros gastos realizados durante a estadia na França.

Entre as despesas detalhadas nos documentos estão refeições em restaurantes frequentados pelo casal durante a viagem.

No La Soucoupe, a conta atribuída a Ciro e Flávia chegou a R$ 63 mil. Já no Le Tremplin, especializado em frutos do mar, os gastos ultrapassaram R$ 58 mil.

O Brasilianista procurou as pessoas citadas, mas não recebeu retorno até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.

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