Publicidade
Justiça

Entenda por que o CNJ analisa a movimentação de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais no BRB

Tribunais de Justiça precisam explicar continuidade dos depósitos e atualizar informações

Entenda por que o CNJ analisa a movimentação de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais no BRB

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitou mais informações a cinco tribunais sobre depósitos judiciais realizados por meio do Banco de Brasília (BRB). O montante já alcança R$ 30,6 bilhões.

Publicidade

 O prazo para esclarecimento é até a data de publicação desta matéria, conforme decisão do corregedor do CNJ, ministro Mauro Campbell Marques. 

“Tendo em vista que as últimas informações prestadas datam dos meses de março e abril, intimem-se os Tribunais para que digam, em dez dias, se houve, a contas das últimas manifestações, fatos novos ou relevantes que ainda não foram colecionados neste feito”, diz o despacho. 

Entre os tribunais citados estão o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). 

Depósitos judiciais e o escândalo Master

Devido aos entraves envolvendo o BRB no Caso Master, que foi liquidado pelo Banco Central do Brasil (Bacen), os valores depositados no BRB podem representar um risco.

O Brasilianista publicou matérias nas quais explica que a fraude bancária colocou em xeque a reputação do banco e expôs a tentativa da instituição de comprar os ativos do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.As investigações da Polícia Federal (PF) apontaram que se tratava de títulos podres e que o BRB teria de assumir um rombo de R$ 8,9 bilhões.

Na denúncia, o advogado Alex Ferreira Borralho, que procurou o CNJ, entende que os tribunais não levam em consideração a devida divulgação e transparência dos depósitos judiciais e vê essa movimentação como um risco.

Os depósitos judiciais são um instrumento utilizado por juízes em uma ação, no qual se determina o valor que deverá ser recolhido e mantido durante o processo. O tribunal delega a administração desse recurso a um banco autorizado, que o registra em uma conta vinculada especificamente à ação.

Esse dinheiro não integra o Poder Judiciário nem a instituição financeira responsável por administrá-lo.

O Banco BRB

Ao CNJ, o banco informou que não houve movimentações atípicas nesses depósitos e que a solicitação do Conselho faz parte de um procedimento de apuração de dados, ocorrendo dentro da normalidade.

A suspeita apresentada pelo advogado Borralho é que a rentabilidade do banco pode estar vinculada a riscos elevados e, dessa forma, não seria possível garantir que os recursos estão sendo preservados.

Segundo apuração do Estadão, o CNJ informou que o Tribunal de Justiça do DF não renovou o contrato com o Banco de Brasília.

Banco investigado por descontos em folhas de pagamento

O Brasilianista também noticiou que o Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPDFT) iniciou uma apuração sobre descontos na folha de pagamento de servidores de Brasília.

O caso envolve o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, que também é alvo da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Paulo Henrique tentaram firmar um acordo de R$ 146,5 milhões para adquirir o BRB.

Ambos seguem presos e negociam uma possível delação premiada.

Juíza do TJBA tentou barrar contratos com o BRB

Nesta mesma semana, O Brasilianista publicou uma matéria mostrando que o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) foi alvo de uma decisão que buscava interromper a exclusividade doBRB na gestão de depósitos judiciais.

A juíza Juliana de Castro Madeira determinou o fim do contrato exclusivo do banco em relação aos depósitos judiciais.

Os motivos que embasaram a decisão foram documentados no processo. Segundo a magistrada, era necessário apurar atividades financeiras e realizar uma auditoria devido às transações relacionadas à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.

Mesmo após a decisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, derrubou a sentença sob a alegação de que a mudança poderia comprometer a estabilidade econômica do BRB. Os contratos de depósitos exclusivos continuam em vigor.

Histórico dos contratos exclusivos

Desde 2021, o BRB mantém contrato exclusivo com o TJBA para a administração dos depósitos judiciais.

O Brasilianista revelou que o banco de Brasília pagava percentuais superiores a 33%ao tribunal baiano, o que contribuiu para que a instituição recebesse receitas bilionárias em razão dos juros gerados pelos depósitos e dos custos operacionais envolvidos.

A reportagem ainda explica como o BRB conquistou o contrato exclusivo com o tribunal.

BRB atrasa pagamentos em cartórios na Paraíba

Outra apuração de O Brasilianista mostra que os problemas envolvendo transferências do BRB não se limitaram à Bahia.

Tabeliães responsáveis por cartórios na Paraíba relataram atrasos no repasse de valores destinados às unidades, o que reacendeu questionamentos sobre a atuação da instituição. A estrutura dos cartórios depende desses recursos para sua manutenção e para a prestação de serviços.

A contratação foi realizada pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). Antes, as contas judiciais estavam sob responsabilidade do Banco do Brasil (BB).

O BB não participou da licitação, e o BRB venceu a disputa, assumindo a função de gestão das contas judiciais.

Acesse as nossas redes: O Brasilianista!