Na última quinta-feira (25), a Procuradoria-Geral da República negou a proposta de delação realizada pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Investigado no Caso Master, Costa foi transferido da Papuda para a Papudinha em maio deste ano, para negociar a colaboração.
Em reportagem do G1, para a corporação, a proposta não apresentou nenhuma novidade, além de não trazer contribuições inéditas para o caso. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não havia sinalização mínima do potencial de ressarcimento pretendido com a preposição que diferenciasse dos fatos já apurados e averiguados pela Polícia Federal (PF). O procurador utilizou termos como “baixa utilidade prática” e “débil eficácia” ao rejeitar a proposta.
Pela falta de provas substanciais, a PGR determinou o arquivamento do processo administrativo, após o indeferimento sumário do pedido. A defesa do Costa havia solicitado, no início desta semana, a revogação da prisão preventiva e o avanço no processo de colaboração.
Em reportagem da CNN, a possibilidade de soltura do ex-presidente do BRB não é descartada. Segundo o entendimento da Corte, Costa não estaria atrapalhando as investigações.
Preso desde 16 de abril, o investigado é suspeito de receber cerca de R$ 140 milhões em imóveis de luxo como forma de propina de Daniel Vorcaro, para a viabilização da compra do Master pelo BRB.
O que o ex-presidente poderia delatar?
Segundo apurou O Brasilianista, Costa listou 20 esquemas de fraudes nos quais houve sua participação, além de negócios divergentes em que colaborou ou tomou conhecimento. Além disso, o ex-presidente citou alguns nomes que poderiam fazer presença na delação.
Entre os citados estava o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Além dele, a atual governadora do DF e vice de Ibaneis, Celina Leão (MDB), também foi listada. A lista continha, ainda, deputados distritais de Brasília, um dirigente partidário do Centrão, funcionários de carreira do Banco Central (BC) e um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Foco da PF estava na delação de Vorcaro
A delação de Costa foi ofuscada pelas duas tentativas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro. Conforme apuração de O Brasilianista, a avaliação da PF era de que o acordo com o ex-banqueiro traria elementos importantes e relevantes para a investigação.
Desta maneira, a abertura da delação de Costa não foi tratada como prioritária pela corporação. Assim, a disposição da negociação com o ex-presidente do BRB havia diminuído do fim de 2025 para 2026, apesar de a possibilidade não ter sido descartada.
Vorcaro foi rejeitado duas vezes pelo mesmo motivo de Costa
O ex-dono do Banco Master foi negado duas vezes pela PGR e pela PF. Os motivos foram os mesmos da rejeição de Costa: a falta de elementos novos além dos já averiguados pela investigação.
De acordo com O Brasilianista, Vorcaro ainda teve um segundo fator para a recusa da proposta, que foi a devolução dos valores fraudados. Segundo a decisão, a proposta demonstrou que o banqueiro não estava comprometido em arcar com as soluções dos crimes cometidos.

