Em 19 de maio, Flávio Bolsonaro, prometeu que detalharia todos os gastos de Dark Horse, filme que contará a história de seu pai, Jair Bolsonaro. Naquela ocasião, o senador e pré-candidato à Presidência da República garantiu que tudo seria esclarecido em 30 dias.
Passados mais de 40 dias da promessa feita para estancar o escandâlo que se seguiu à divulgação do áudio em que pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme, Flavio não a cumpriu. O Brasilianista questionou o senador e Rogério Marinho, que integra a equipe da pré-campanha do senador.
A equipe da pré-campanha Flávio não respondeu às perguntas sobre a transparência dos pagamentos relacionados a Dark Horse. O mesmo silêncio se deu por parte de Rogério Marinho.
Nesses mais de 40 dias entre a promessa e seu não cumrpimento, Flávio ainda não esclareceu qual foi o fundo utilizado pela produtora do filme.
Início da crise
O Brasilianista repercutiu a crise envolvendo o senador após o vazamento de um áudio divulgado pelo The Intercept, no qual foi revelado que Flávio teria pedido ao empresário Daniel Vorcaro cerca de R$ 134 milhões para a produção do filme. Inicialmente, o senador negou qualquer tratativa de financiamento com o ex-banqueiro.
Os áudios vazados também mostraram conversas envolvendo o deputado Mario Frias (PL-SP) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
À CNN, Flávio afirmou estar “100% disposto” a explicar o contrato, que, segundo ele, é gerido por um fundo privado, e disse que solicitou uma prestação de contas à produtora Go Up Entertainment e a co-produtora Up Tone Pictures .
“Pedi para a equipe dos Estados Unidos que houvesse uma prestação de contas por parte da produtora que executava esse contrato. O que eu sei é que havia um orçamento de 24 milhões de dólares e uma outra quantia que foi investida por outros investidores privados”, afirmou Flávio.
Até o momento, Flávio não informou se pretende conceder uma coletiva de imprensa para tratar do caso.
O financiamento do filme
O Brasilianista mostrou que a produção custou aproximadamente R$ 75 milhões (US$ 13,3 milhões), com base em um levantamento publicado pelo jornal Metrópoles.
A Go Up Entertainment, de Karina Ferreira de Gama, foi alvo de uma investigação da Polícia Civil no início deste mês. As apurações apontam que recursos da empresa teriam sido possivelmente utilizados para outras finalidades, como a contratação de serviços de internet em comunidades, por meio de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo.
Karina Ferreira de Gama também firmou contrato com a ONG Favela Conectada Serviço e Tecnologia, administrada por Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele está preso e responde pelo crime de feminicídio.
Pré-candidato pelo PL enfrenta cenário de instabilidade
Flávio Bolsonaro enfrenta um cenário eleitoral instável enquanto acompanha os desdobramentos e as novas apurações relacionadas ao caso.
Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, foi designado relator do caso envolvendo a produtora. Agora, o pedido deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre a investigação relacionada ao financiamento do filme.
O senador também enfrenta desgaste junto a parte do eleitorado feminino e do eleitorado evangélico após a divulgação de declarações de sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que afirmou ter sido maltratada e desrespeitada pelo pré-candidato.
Outro lado
A assessoria da pré-campanha de Flávio informou apenas que, no momento, o pré-candidato não está concedendo entrevistas para tratar de questões relacionadas à campanha. O espaço segue aberto, caso os senadores tenham interesse em prestar esclarecimentos sobre o caso.

