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Economia

Como cenário caótico de violência afasta investimentos no Brasil?

Crescimento de registros sem esclarecimento dificulta previsibilidade para empresas enquanto amplia instabilidade no país

Como cenário caótico de violência afasta investimentos no Brasil?

O avanço dos homicídios ocultos e a piora na qualidade das informações sobre mortes violentas no Brasil passaram a preocupar também o ambiente econômico. Dados do Atlas da Violência 2025 mostram que, apesar da queda oficial nos assassinatos registrados em 2024, o aumento de casos sem esclarecimento ampliou a percepção de insegurança e dificultou análises sobre estabilidade regional, fator observado por empresas antes de ampliar operações ou abrir novos negócios.

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Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 42.590 homicídios em 2024, com taxa de 20,1 casos para cada 100 mil habitantes. O número representa redução de 6,9% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, houve crescimento expressivo das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada, classificadas quando o Estado não consegue apontar se a morte ocorreu por homicídio, acidente ou suicídio.

De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo a partir dos dados do Atlas da Violência, os registros de mortes violentas sem causa definida saltaram de 13.896 para 17.207 em apenas um ano. O próprio estudo aponta que parte desses casos pode esconder assassinatos não contabilizados oficialmente.

A elevação desse tipo de ocorrência cria um ambiente de incerteza em estados que já enfrentam dificuldades econômicas. Empresas que analisam expansão industrial, abertura de centros logísticos ou instalação de unidades comerciais costumam observar indicadores de segurança pública, qualidade institucional e capacidade de monitoramento estatal antes de definir investimentos de longo prazo.

Dados incompletos aumentam insegurança econômica

O Atlas estima que o Brasil tenha registrado, na prática, 49.673 homicídios em 2024 quando os chamados homicídios ocultos são incorporados à conta. O volume representa leve alta em relação ao ano anterior, contrariando parcialmente a sensação transmitida pelos números oficiais.

A pesquisa calcula que os homicídios ocultos chegaram a 7.083 casos em 2024, crescimento de 88,6% em relação aos cerca de 3,7 mil contabilizados anteriormente. Com isso, os assassinatos não registrados formalmente passaram a representar 14,3% do total estimado de homicídios no país.

Esse cenário interfere diretamente na previsibilidade econômica. Regiões marcadas por violência elevada e dificuldade de consolidação de dados costumam enfrentar obstáculos para atrair empresas, ampliar polos industriais e estimular novos empreendimentos. O problema também impacta custos operacionais, logística, seguros e contratação de mão de obra.

O levantamento mostra que Norte e Nordeste seguem concentrando os maiores índices de homicídios do país. Amapá aparece com taxa de 45,7 mortes por 100 mil habitantes, seguido por Bahia, Pernambuco e Alagoas. Salvador permanece como única capital entre as 20 cidades brasileiras mais violentas com mais de 100 mil habitantes.

Desigualdade regional preocupa mercado

Mesmo com redução em parte dos estados, o Atlas aponta que 18 unidades federativas ainda possuem taxas acima da média nacional. O dado amplia diferenças regionais e ajuda a explicar porque determinadas áreas enfrentam mais dificuldade para consolidar crescimento econômico sustentável.

Os pesquisadores também identificaram que a redução da violência não ocorreu de maneira uniforme. Maranhão e Ceará apresentaram crescimento nas taxas de homicídio em 2024, enquanto São Paulo manteve estabilidade e registrou o menor índice do país, com taxa de 6,6 mortes por 100 mil habitantes.

Estados com indicadores menores de violência costumam apresentar ambiente considerado mais previsível para expansão empresarial. Além da segurança pública, investidores observam a capacidade de integração entre órgãos de saúde, polícia e sistemas de informação, fator apontado pelo Atlas como uma das fragilidades atuais do país.

O estudo indica que parte dos problemas ocorre por falhas no compartilhamento de informações entre instituições públicas. Em muitos casos, exames periciais não são atualizados posteriormente com dados das investigações policiais, mantendo mortes classificadas como indeterminadas.

Violência elevada mantém pressão sobre desenvolvimento

O Atlas da Violência também destaca que, apesar da queda recente nos registros oficiais, o Brasil ainda convive com níveis elevados de letalidade. A persistência desses índices mantém pressão sobre infraestrutura urbana, serviços públicos e estratégias de desenvolvimento regional.

As diferenças entre os estados aparecem também na análise dos últimos cinco anos. Enquanto o Brasil reduziu a taxa de homicídios em 8,6% desde 2019, unidades federativas como Ceará, Maranhão e Piauí tiveram aumento da violência letal no período.

O crescimento das facções criminosas em partes do Norte e Nordeste continua influenciando os índices de criminalidade e dificulta a consolidação de ambientes considerados mais seguros para investimentos privados. Em paralelo, estados que registraram reduções mais expressivas, como Acre, Sergipe e Goiás, apresentaram melhora significativa nas estatísticas.

O Atlas utiliza dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, ambos ligados ao Ministério da Saúde. A pesquisa também recorreu a modelos de aprendizado de máquina para estimar quantos casos classificados como indeterminados poderiam, na realidade, ser homicídios.

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