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Política

A estratégia de Michelle Bolsonaro

Ex-primeira-dama vive mudanças intensas em suas decisões políticas em meio às brigas recentes com os filhos do ex-presidente

A estratégia de Michelle Bolsonaro

Michelle Bolsonaro ainda não deu explicações sobre se deve disputar as eleições de 2026. Em contrapartida, ela já montou um arsenal de apoio para 18 pré-candidatas durante a sua gestão no PL Mulher.

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O intuito é consolidar mais nomes femininos para concorrer ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas, sendo grande parte formada por integrantes do grupo de trabalho liderado por Michelle até a semana passada.

Além disso, Michelle quer eleger aliadas para desenvolver políticas de longo prazo nas esferas federal e municipal por meio desses novos mandatos. As pautas defendidas pela ex-primeira-dama giram em torno da família e têm como estratégia a defesa das pessoas com deficiência (PCD) e do conservadorismo.

Entre os nomes selecionados, cabe destacar as dez candidatas para as disputas federais: Chris Tonietto, Roberta Roma, Carlise Kwiatkowski, Gislaiene Yamashita, Rosana Valle, Flávia Berthier, Jussara Sales, Izabel Urquiza, Naiane Bittencourt e Kátia Araújo.

Desentendimentos

O núcleo próximo a Michelle indica que ela estava desgastada após as discussões que expuseram os conflitos entre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo após optar por se recolher, Michelle está focada, segundo interlocutores, em eleger mais mulheres pelo Partido Liberal.

A ex-primeira-dama, que deixou o PL Mulher, lida com problemas no núcleo familiar de Jair Bolsonaro. O primeiro envolve o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que sinalizou um pedido de desculpas à madrasta, após ela afirmar que era desrespeitada pelos enteados.

Nas redes sociais, Michelle gravou um longo pronunciamento no escritório do PL enquanto o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, estava ausente. No vídeo, ela afirma que Flávio Bolsonaro a humilhou ao dizer que seria melhor ela “não participar das decisões do partido”.

O senador, que enfrenta uma série de problemas antes das eleições envolvendo o possível desvio de recursos de um fundo privado para a produção do filme que conta a história de seu pai, Dark Horse, e aguarda apuração da PF, por sua vez, usou as redes sociais para pedir desculpas à madrasta.

Tensão entre os filhos de Jair Bolsonaro e Michelle

Michelle Bolsonaro sinaliza que essa não seria a primeira vez que teria sido desrespeitada pelos filhos de Jair Bolsonaro. Ela já não segue nas redes sociais os enteados Eduardo e Carlos Bolsonaro.

Há conteúdos compartilhados no X, conforme O Brasilianista apurou, com manifestações contra a ex-primeira-dama. Michelle fez queixas sobre Eduardo e o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), que anunciou que disputará o Senado por Santa Catarina no lugar de Caroline de Toni. Por sua vez, Michelle apoiava a candidatura de Carol ao Senado, que acabou sendo preterida.

Com Flávio, Michelle já manifestou sua irritação com a articulação de uma aliança política no Ceará entre Ciro Gomes e o partido. O argumento, à época, era que o próprio pré-candidato ao governo já havia feito críticas ao seu marido em seus discursos.

Flávio Bolsonaro precisa do voto feminino e evangélico

O pré-candidato à Presidência da República agora corre para corrigir alguns erros perante o eleitorado evangélico e feminino.

Além de precisar pedir desculpas à madrasta, logo após a divulgação de seu vídeo, o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo disse, em suas redes sociais, que o eleitor feminino não sabe votar diante do confronto com Michelle. Flávio precisou gravar um vídeo no qual afirmou que não poderia concordar com o discurso contra as mulheres, classificando a fala como “completamente equivocada”. O aliado de Flávio, que trabalha nos Estados Unidos, discorda.

O último desdobramento envolvendo Michelle foi sua ausência no evento que definiria estratégias entre as pré-candidatas e a campanha de Flávio Bolsonaro. Nesta semana, o senador segue em Washington, D.C., para tentar reverter o possível novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos e insumos brasileiros.

Atacada em suas redes sociais por apoiadores, a então líder decidiu deixar o comando do PL Mulher para cuidar do marido e da filha. Deputadas e senadoras de esquerda e de direita manifestaram apoio a Michelle em meio à onda de violência e ataques.

Em entrevista à Veja, Bia Kicis disse que Michelle sofria ataques de pessoas próximas a Eduardo Bolsonaro e que isso foi um dos motivos que a levaram a gravar o vídeo em sua defesa.

As últimas eleições do PL na Câmara dos Deputados 

O Partido Liberal elegeu 19 mulheres para cargos federais nas últimas eleições para o Congresso Nacional. Ao todo, foram dez reeleições, sendo Carla Zambelli a única deputada que não exerce o mandato após ser detida na Itália. Atualmente, aproximadamente 12 exercem suas atividades parlamentares.

As candidatas eleitas para o primeiro mandato são Silvia Waiãpi, Sonize Barbosa, que não exercem o mandato, e Roberta Roma, Detinha, Daniela Reinehr, Julia Zanatta, Coronel Fernanda e Rosângela Reis, que exercem atividades parlamentares.

Amália Barros deixou de exercer as funções parlamentares enquanto tratava problemas no fígado e passava pela remoção de um nódulo no pâncreas, vindo posteriormente a falecer.

O PL ainda não elegeu mulheres para o Senado. Bia Kicis (PL-DF) é pré-candidata à disputa e poderia concorrer ao lado de Michelle Bolsonaro, que ainda não sinalizou se mantém a intenção de disputar uma vaga pela legenda.

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