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Política

Onde Bolsonaro distribui seus aliados para tentar ampliar a bancada no Senado

O histórico das estratégias dos pré-candidatos do núcleo político evidencia que nem sempre há ligação direta com o estado em que pretendem disputar as eleições

Onde Bolsonaro distribui seus aliados para tentar ampliar a bancada no Senado

Há menos de 90 dias para as eleições, pré-candidatos ligados ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro já se movimentam para disputar cargos fora de seus domicílios eleitorais de origem.

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A estratégia busca ampliar a influência política, conquistar novos redutos eleitorais e aumentar as chances de vitória em estados considerados mais favoráveis.

Ao mesmo tempo, essas mudanças alimentam discussões sobre representatividade política, principalmente quando não existe uma relação consolidada entre o candidato e o estado pelo qual pretende concorrer.

Por enquanto, há apenas anúncios de pré-candidaturas. Os nomes ainda dependem das convenções partidárias, previstas entre 20 de julho e 5 de agosto, para serem oficializados.

Mudança de domicílio eleitoral no núcleo Bolsonaro

Pelo menos três integrantes ligados à família Bolsonaro passaram a disputar cargos em estados diferentes daqueles onde construíram suas trajetórias políticas.

Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro (RJ), anunciou, em maio, a intenção de disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina (SC). A decisão, inclusive, gerou discussões dentro do próprio núcleo político, já que o partido deixou de lançar uma aliada próxima de Michelle Bolsonaro, a deputada federal Carol de Toni (PL-SC), que havia manifestado interesse na disputa.

A aposta inicial do Partido Liberal (PL) era lançar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal (DF). No entanto, esse cenário permanece incerto após os desgastes envolvendo o enteado e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Michelle deixou a presidência do PL Mulher para dedicar mais tempo aos cuidados de Jair Messias Bolsonaro.

No Ceará (CE), o Partido Liberal escolheu o deputado estadual Alcides Fernandes da Silva como pré-candidato ao Senado, durante o primeiro evento de lançamento realizado na semana passada. Vale lembrar que o estado já foi palco de divergências entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Enquanto parte do núcleo defendia apoio ao então pré-candidato ao governo Ciro Gomes (PSDB-CE), Michelle apoiava o senador Eduardo Girão (Novo-CE).

A ex-esposa de Jair Bolsonaro e mãe do vereador Jair Renan Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, natural de Resende (RJ), também disputou eleições fora de seu estado de origem. Em 2022, concorreu pelo Progressistas a uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), mas não foi eleita. Recentemente, a Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil por descumprimento de decisão anterior que determinava a devolução de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) utilizados em sua campanha.

A dança das cadeiras nas eleições

O filho mais novo do ex-presidente, Jair Renan Bolsonaro, vereador de Balneário Camboriú (SC) e nascido no Rio de Janeiro (RJ), também pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Santa Catarina.

Esse movimento não é recente. Nas eleições de 2014, Eduardo Bolsonaro, carioca, transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo (SP), onde disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo então Partido Social Cristão (PSC), legenda posteriormente incorporada ao Podemos. Ele foi eleito com cerca de 82 mil votos e permaneceu disputando eleições pelo estado paulista.

Mudanças entre os aliados mais próximos da família

O senador Jorge Seif (PL-SC), atualmente licenciado para se dedicar ao processo eleitoral, nasceu no Rio de Janeiro, mas foi eleito por Santa Catarina.

Outro exemplo é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também carioca. Ainda na infância, mudou-se para Brasília, onde manteve seu domicílio eleitoral durante muitos anos, até assumir o Ministério da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro. Em 2022, disputou e venceu as eleições para o Governo de São Paulo com apoio do então presidente da República. Agora, já indicou Felício Ramuth como integrante de sua chapa para a reeleição.

Quem também se aproximou recentemente do Partido Liberal foi o senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato ao Governo do Paraná. Moro foi ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro entre 2019 e 2020, quando rompeu com o ex-presidente. Em 2022, disputou o Senado pelo Paraná, estado onde nasceu, pelo União Brasil. Em 2026, no ato de filiação ao PL, contou com a presença do pré-candidato Flávio Bolsonaro.

Em julho deste ano, o deputado federal Hélio Negão (PL-RJ), eleito com apoio de Jair Bolsonaro, anunciou que disputará uma vaga ao Senado por Roraima (RR), decisão tomada a pedido do ex-presidente.

“Mineiros enrolados”

O Brasilianista noticiou, no início da semana, os diálogos revelados pela Operação Transparência entre o ex-deputado federal Eduardo Cunha (RJ) e a ex-assessora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek. Na decisão, a Corte apontou que Cunha, “em algumas passagens, demonstra pouco apreço pelo Estado de Minas Gerais e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução”.

Mesmo assim, o ex-presidente da Câmara articula sua pré-candidatura ao Senado por Minas Gerais pelo Republicanos. Até o momento, mesmo após a divulgação das investigações, não há qualquer sinalização de desistência.

O Brasilianista também entrevistou, nesta semana, o cientista político Alan Camargo, que explicou como líderes partidários exercem influência sobre a política nacional e, em determinadas circunstâncias, controlam parte da distribuição de recursos públicos em razão do modelo federativo brasileiro, mesmo sem ocuparem mandato eletivo.

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