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Sinais de mandato único na Argentina

Milei carece de características fundamentais para governar

Sinais de mandato único na Argentina

A quem serve a autonomia do Banco Central? Atenção, não me refiro à razoabilidade política, nem aos benefícios posteriores de uma política de Estado que não deveria ser discutida no âmbito de uma economia capitalista. Mas que, ainda sendo tão benéfica, numerosos presidentes optaram por executar uma política monetária funcional aos seus interesses de curto prazo.

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Então, quem pode querer ou precisar de um Banco Central autônomo? Responderão, a partir de uma perspectiva ideologizada, que Javier Milei. No entanto, as cinco leis que ele impulsionou este ano foram muito operativas e funcionais aos seus interesses imediatos. Porque, com exceção da Reforma Trabalhista, o Regime Penal Juvenil, as modificações na Lei das Geleiras, o Acordo Mercosul-União Europeia e a aprovação do pagamento de dívidas a dois fundos dos chamados “abutres”, concediam-lhe benefícios diretos.

Mas ficaram pendentes duas leis que o próprio Governo havia reconhecido como fundamentais para a atração de investimentos e a redução do risco-país, além da Trabalhista: a reforma tributária e a previdenciária.

Depois de seu fracassado discurso de abertura das sessões ordinárias do Congresso, quando perdeu grande parte do capital político obtido nas eleições de outubro de 2025, o Governo teve que renunciar ao processo de reformas estruturais para se ocupar das urgências políticas derivadas, entre outros problemas, do caso Adorni.

Partindo da base de que o Presidente é uma pessoa altamente pragmática e que move suas peças levando em conta sua incidência efetiva na realpolitik, o que estaria lhe proporcionando a agora impulsionada Lei de Autonomia do Banco Central, que mereceu uma apresentação extraordinária sua de duas horas aos seus blocos de legisladores?

Se observarmos o que este Governo fez durante estes primeiros três anos, foi nomear para presidente do Banco Central o sócio comercial do ministro da Economia. Além de amigos, Santiago Bausili e Luis Caputo teriam sido sócios na consultoria financeira Anker.

Do meu ponto de vista, a única coisa que justificaria o Presidente acelerar a aprovação desta lei entre as últimas que talvez consiga fazer aprovar este governo é mais um dos sinais de que o Presidente poderia ceder à tentação de renunciar a um segundo mandato.

Porque, se deixar o cargo e retirar do próximo governo a possibilidade de conduzir a política monetária, poderá ser visto como o principal responsável por a economia argentina ter alcançado uma maior estabilidade. Seria um passo fundamental para se tornar o piloto de tempestades da economia argentina do século XXI que conseguiu estabilizar o navio para o futuro.

Razões

O de Milei é um governo de transição. Não parece razoável que a mesma pessoa capaz de administrar uma crise como era a da economia argentina em 2023 possa ser a mesma que consiga seu posterior crescimento e desenvolvimento econômico.

Porque, para conter a crise, são necessárias virtudes que depois podem colidir com aquelas que serão necessárias para estabelecer bases de crescimento. Refiro-me principalmente às políticas. Milei soube se diferenciar e confrontar muito bem, mas o diálogo e os acordos não lhe são naturais, e estes são os necessários para obter leis com maiorias cada vez mais apertadas.

Para resolver uma crise é preciso uma visão macro, mas, para continuar o ajuste e alcançar políticas de crescimento, é necessário fazer sintonia fina.

E estas duas coisas implicam um gosto pela política, pela coisa pública, do qual Milei carece. Muitos dos chamados “erros não forçados” ou “tiros no pé” derivam de suas reiteradas distrações em uma arte que, ainda que a entenda e a domine muito bem, lhe causa aversão.

Além disso, pela sua idade, ele pôde observar como Carlos Menem deteriorou sua reputação ao tentar forçar uma prolongação no poder e como Domingo Cavallo pulverizou sua boa imagem de economista ao reincidir em sua experiência ministerial. Mas trata-se apenas de uma hipótese ousada.

É por isso que, desde o princípio deste Governo, insistimos que é provável que se trate de um governo de um único mandato.

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