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Justiça

Quem é Rafael Paixão, ex-sócio da Fictor que voltou aos holofotes após festa de casamento

Grupo Fictor, enfrenta recuperação judicial de R$ 4,3 bilhões

Quem é Rafael Paixão, ex-sócio da Fictor que voltou aos holofotes após festa de casamento

A repercussão do casamento de Rafael Paixão, realizado no último sábado (11) com apresentações dos cantores Mumuzinho e Suel, levou o empresário novamente ao centro das atenções.

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A festa provocou reação de credores do Grupo Fictor, que utilizaram as redes sociais para demonstrar indignação diante da celebração em meio ao processo de recuperação judicial da companhia, que reúne mais de 12 mil credores e um passivo declarado de R$ 4,3 bilhões.

Parte dos investidores afirmou que as imagens da cerimônia contrastam com a situação financeira enfrentada pelos credores, que aguardam uma definição da Justiça sobre o pagamento dos valores devidos.

Trajetória no Grupo Fictor

Rafael Paixão esteve ligado ao Grupo Fictor durante o período de expansão da holding.

A empresa foi fundada em 2007 e cresceu a partir da atuação em tecnologia, ampliando posteriormente os negócios para os setores financeiro, imobiliário, infraestrutura e alimentos.

A holding também expandiu suas operações para Portugal e Estados Unidos. Na estrutura societária apresentada pela empresa, Paixão aparecia como um dos principais sócios, responsável pela área financeira, ao lado do fundador e CEO Rafael de Góis e de Phillippe Rubini.

Paixão também figurava em registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) como representante da FCT Partners na Fictor Consignado, atualmente denominada FCT Consignado.

Após o pedido de recuperação judicial apresentado pelo grupo em fevereiro deste ano, tanto a empresa quanto a FCT Partners tiveram suas sedes transferidas para Niterói (RJ). Em março, a Fictor informou que Rafael Paixão não integrava mais o grupo.

O escritório IW Melcheds, responsável por representar Rafael Paixão na esfera cível, informou ao Valor Econômico que não o assessora em assuntos relacionados à vida pessoal e, por isso, não comentaria o casamento.

Como a Fictor entrou em crise

A crise da Fictor ganhou dimensão nacional após a tentativa de aquisição do Banco Master, anunciada em novembro de 2025. Como explicou O Brasilianista, a negociação ocorreu pouco antes da liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo Banco Central, episódio que intensificou questionamentos sobre a situação financeira do grupo e provocou forte deterioração da confiança do mercado.

Pouco tempo depois, a holding protocolou um pedido de recuperação judicial envolvendo suas principais empresas. Conforme detalhou O Brasilianista, o processo reúne 43 companhias sob consolidação substancial, prevê a suspensão das cobranças por 180 dias e estabelece prazo para apresentação de um plano de pagamento de aproximadamente R$ 4,3 bilhões.

A Justiça também determinou o acompanhamento das operações por uma administradora independente para fiscalizar a situação financeira do conglomerado.

Antes mesmo da recuperação judicial, a empresa promoveu alterações nas Sociedades em Conta de Participação (SCPs), modalidade utilizada para captar recursos junto a investidores.

Esses investidores passaram a ser tratados como credores dentro da recuperação judicial, o que alterou a forma de recebimento dos valores investidos.

Recuperação judicial desafia credores

Especialistas ouvidos pelo O Brasilianista afirmam que a recuperação judicial representa, neste momento, o caminho previsto pela legislação para tentar preservar ativos e organizar o pagamento aos credores.

Embora a documentação apresentada pela empresa tenha sido considerada frágil por profissionais da área, a decretação imediata da falência não é permitida antes da conclusão das etapas previstas na Lei de Recuperação Judicial e Falências.

Perícias anexadas ao processo também identificaram uma estrutura financeira baseada em transferências entre empresas do grupo. Conforme mostrou O Brasilianista, os documentos apontam que a Fictor Holding Financeira encerrou 2025 com prejuízo acumulado de R$ 12,6 milhões e disponibilidade de caixa de apenas R$ 385.

Os peritos afirmam ainda que operações entre empresas ligadas ao conglomerado concentravam praticamente toda a movimentação de recursos, reduzindo a liquidez necessária para cumprir obrigações correntes.

Até o momento, não há informação de que Rafael Paixão seja investigado no âmbito das operações conduzidas pela Polícia Federal relacionadas ao Grupo Fictor.

O foco das investigações divulgadas pelas autoridades permanece concentrado na atuação do conglomerado empresarial e de seus dirigentes, enquanto a recuperação judicial segue em tramitação na Justiça de São Paulo.

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