O Banco Regional de Brasília (BRB) não seguirá mais com o acordo elaborado em conjunto com Quadra Capital para reestruturar metade do rombo que o Banco Master deixou na instituição estatal.
A formulação do acordo acontecia desde abril, quando o BRB assinou um memorando com a gestora para transferir R$ 15 bilhões em ativos ligados ao banco de Daniel Vorcaro — esse montante representa metade do prejuízo do Master no BRB. A proposta era vista como uma maneira de reforçar o caixa do banco no curto prazo.
A Quadra faria um aporte entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões e o restante seria convertido em cotas subordinadas de um fundo. Isso faria com que o BRB garantisse caixa no curto prazo, mas seguisse exposto ao desempenho dos ativos do Master, que no futuro seriam vendidos. No entanto, as condições para a operação não foram cumpridas.
De acordo com o próprio BRB, faltaram algumas diligências necessárias no acordo final e mudanças importantes no escopo original estão em fase de análise. Agora, o banco procura encaixar a estratégia com outros participantes.
Segundo a proposta aprovada pelo governo do DF, apenas bancos de nível S1 podem conceder as operações de crédito. Esta sigla é dada para grandes instituições financeiras, cujo porte seja igual ou superior a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Além disso, a União não irá fornecer garantias para o empréstimo, nem transferir recursos públicos ao BRB.
Para a contragarantia da instituição financeira, serão utilizados dois fundos: Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
FGC concedeu empréstimo ao BRB
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai emprestar dinheiro para o BRB para melhorar seus indicadores financeiros após os impactos causados pelo caso Master.
A proposta aprovada prevê um empréstimo ao governo do DF de 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) apurada na forma estabelecida na Resolução n. 43/2001, do Senado Federal. O banco brasiliense buscou capitalizar R$ 6,6 bilhões e o apoio do FGC e também de outras instituições financeiras privadas.
O rombo do BRB e busca por recuperação de caixa no curto prazo começaram após uma representação do Banco Central (BC) em julho de 2025 rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os motivos para a recusa, segundo o BC, eram o fluxo atípico de recursos transferidos pelo BRB ao Master nos primeiros meses de 2025, ultrapassando o limite de exposição da estatal.
Vorcaro comprou a participação no banco Master em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno e risco.
O BC começou a suspeitar das negociações do Master com o BRB ao identificar o aporte de R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco privado não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
Investigações contra o BRB
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitou em junho mais informações a cinco tribunais sobre depósitos judiciais realizados por meio do BRB em um valor de cerca de R$ 30,6 bilhões.
Entre os tribunais citados estão o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
Os depósitos judiciais são utilizados por juízes em uma ação, em que se determina o valor que deverá ser recolhido e mantido durante o processo. O tribunal delega a administração desse recurso a um banco autorizado, que o registra em uma conta vinculada especificamente à ação.
Devido aos entraves envolvendo o BRB no Caso Master, os valores depositados no banco estatal podem representar um risco na visão do CNJ.
O Brasilianista também mostrou que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou uma operação que investiga descontos irregulares em folhas de pagamento de servidores do DF. Entre os alvos estão o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, executivos do PicPay e integrantes da administração pública distrital.

