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A inteligência artificial acompanha os avanços da humanidade? 

Pesquisas evidenciam que a IA será uma ferramenta cada vez mais adotada em diversos setores, como educação e saúde

A inteligência artificial acompanha os avanços da humanidade? 

O avanço das tecnologias e da inteligência artificial ocorreu em ritmo acelerado, enquanto o progresso da humanidade, principalmente no que se refere ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), permanece estagnado desde os impactos provocados pela pandemia de Covid-19.

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Esse levantamento, feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), na edição Human Development Report de 2025, analisa os impactos da implementação da tecnologia nos próximos anos.

O uso da inteligência artificial ainda é visto com certa controvérsia e desconfiança em relação aos seus impactos em nível global. No entanto, a discussão sobre sua implementação e as formas de utilização no dia a dia tem avançado.

IA na Educação

O Observatório da Educação de Ensino Médio e Gestão, do Instituto Unibanco, explica que a tecnologia já é utilizada em diversos contextos. Entre eles, para apoiar atividades dos professores, da gestão escolar, da administração das instituições de ensino e também para análises de dados. No entanto, a maior parte das ferramentas de inteligência artificial ainda é utilizada pelas instituições de ensino privadas.

O Observatório também cita uma pesquisa realizada pelo Instituto McKinsey com cerca de 2 mil professores dos Estados Unidos, Singapura, Reino Unido e Canadá. O estudo concluiu que entre 20% e 40% da carga horária de trabalho, cerca de 13 horas por semana, é destinada ao planejamento das aulas.

Se a inteligência artificial for utilizada de forma adequada, esse tempo poderá ser reduzido praticamente pela metade, chegando a cerca de seis horas semanais. A resposta para esse problema estaria justamente na automação de atividades administrativas. A proposta é tornar o ensino mais flexível, inclusivo e participativo para todos os envolvidos no processo.

A IA é vista como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento humano. Quando bem utilizada, pode ampliar oportunidades. Quando empregada de forma inadequada, também pode aprofundar desigualdades.

A preocupação com o uso

Em março, ganhou ampla repercussão o caso da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde, segundo a Polícia Civil, estudantes manipularam imagens compartilhadas na internet utilizando tecnologia de deepfake.

As imagens continham conteúdo pornográfico e, segundo nota da UFRGS, os alunos foram suspensos.

A discussão também chegou ao campo eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já definiu regras para a utilização da inteligência artificial por candidatos, estabelecendo exigências sobre a identificação de conteúdos audiovisuais produzidos ou editados com a ferramenta, além de prever responsabilidades para plataformas digitais, que podem ser multadas em caso de descumprimento.

A inteligência artificial na política

No Brasil, o avanço da inteligência artificial também é acompanhado por preocupações do Parlamento, que já começou a elaborar projetos de lei voltados ao controle e à regulamentação da tecnologia e da atuação das plataformas digitais. A tendência observada entre diferentes países é a criação de regras que disciplinem o uso da inteligência artificial e limitem o poder das big techs.

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 2.688/2025, de autoria do deputado federal João Daniel (PT-SE), que aguarda parecer do relator. A proposta cria mecanismos de governança, responsabilidade civil e penal relacionados ao uso da inteligência artificial no Brasil. O texto também determina que conteúdos produzidos por IA sejam identificados de forma clara quanto à sua origem.

Há ainda outras propostas que buscam responsabilizar as plataformas digitais em relação aos conteúdos publicados por terceiros nas redes sociais. Atualmente, essas empresas já possuem obrigações relacionadas à remoção de determinados conteúdos.

Os resultados sobre a projeção da IA

Sobre a forma como as pessoas utilizam a inteligência artificial, o estudo aponta que esse não será o principal fator para definir seus impactos. O resultado dependerá, sobretudo, da maneira como a tecnologia será projetada, utilizada e regulamentada ao longo dos próximos anos.

A pesquisa da UNDP também afirma que as narrativas segundo as quais a inteligência artificial seria inevitável ou completamente autônoma são falaciosas.

Cerca de dois terços dos entrevistados, em países com diferentes níveis de desenvolvimento humano, afirmaram utilizar inteligência artificial em áreas como educação, saúde e trabalho remoto. Inclusive, o uso da inteligência artificial já é fundamental para cerca de 20% dos entrevistados, que sinalizam que essa participação deve crescer rapidamente.

Levantamento do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) mostra que a IA pode contribuir para melhorar diagnósticos em áreas como cardiologia e saúde mental, além de ampliar a eficiência da gestão dos recursos públicos. Por outro lado, um dos principais riscos apontados pelas pesquisas continua sendo o vazamento de dados sensíveis e a falta de transparência na utilização das informações, fatores que aumentam a desconfiança em relação às plataformas.

Para se ter uma ideia, a pesquisa aponta que as duas especialidades médicas com maior número de inovações baseadas em inteligência artificial e aprendizado de máquina (IA/AM) são a radiologia e a cardiologia. Juntas, elas concentram 25 dispositivos médicos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, sendo 21 na área de radiologia e quatro na de cardiologia.

O futuro da humanidade com o uso da tecnologia

Existe um risco crescente relacionado não apenas ao uso da inteligência artificial, mas também à forma como a tecnologia passa a ser incorporada em diferentes etapas da vida e para diversas finalidades. Entre os pontos de atenção está o impacto do uso excessivo das redes sociais sobre o bem-estar, especialmente entre os jovens.

Estatísticas de desenvolvimento humano do Radar IDHM,  divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Brasil chegou a 2024 com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, considerado alto. No entanto, o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, ressalta que, “em um mundo marcado pela inteligência artificial, pela emergência climática e pela reorganização global do trabalho, países que desperdiçam pessoas desperdiçam futuro. Nenhuma nação será competitiva insistindo em manter parcelas inteiras da população à margem das oportunidades educacionais, tecnológicas e econômicas”.

O acesso à tecnologia está diretamente relacionado ao acesso à educação, e a falta de conectividade impede parte da população de aproveitar as oportunidades oferecidas por essas áreas.

O impacto da inteligência artificial está relacionado justamente à capacidade da humanidade de garantir que a educação e a saúde sejam fortalecidas por meio da tecnologia, preservando princípios como igualdade, acessibilidade e privacidade.

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