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Política

Tarcísio de Freitas cumpriu o que prometeu? Especialista analisa gestão com foco nas eleições de 2026

Avaliação sobre compromissos assumidos na campanha aponta avanços pontuais, críticas em áreas-chave e impacto no cenário eleitoral

Tarcísio de Freitas cumpriu o que prometeu? Especialista analisa gestão com foco nas eleições de 2026

Com as eleições de 2026 se aproximando, O Brasilianista fez um levantamento sobre o cumprimento das promessas apresentadas em 2022 pelo atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A reportagem reúne o que foi executado durante o mandato e o que ainda não saiu do papel.

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Entre os pontos analisados estão áreas que tiveram maior destaque durante a campanha e que permanecem no centro das ações do governo ao longo do mandato. O foco recai sobre as estratégias adotadas e seus efeitos práticos, envolvendo medidas administrativas e iniciativas implementadas desde o início da gestão.

Em entrevista, o professor universitário Hélcio Ribeiro, doutor em sociologia política e direito constitucional pela Universidade de São Paulo e com pós-doutorado pela Universidade de Paris, analisou o andamento dessas propostas e comentou como elas vêm sendo aplicadas na prática.

Promessas de campanha

Segundo o especialista, a segurança pública ocupou posição central no discurso eleitoral. “De modo geral, os políticos prometem tudo, mas no caso do governador de São Paulo o destaque ficou por conta do tema da segurança pública”, disse.

Ao tratar da execução dessas propostas, Hélcio Ribeiro avaliou que a política de segurança pública adotada pelo governo não apresentou resultados consistentes na redução da criminalidade, além de gerar impactos nos indicadores de violência.

“A política de segurança pública do governador aumentou o índice e mortalidade entre civis e policiais, com destaque para o litoral com a ação policial causando pânico e com pouco resultado na diminuição da criminalidade”, afirmou.

Para o professor, o enfrentamento da violência exige políticas mais amplas. Ele disse que a ênfase em ações repressivas não responde à complexidade do problema. “A violência é uma questão complexa que não pode ser enfrentada apenas com repressão. A insistência dos políticos nessa abordagem parece estar mais ligada à necessidade de gerar marketing”, declarou.

Direcionamentos e mudanças na área educacional

Já na área da educação, Hélcio destacou a existência de iniciativas em andamento, mas com direcionamentos que, segundo ele, geram críticas. “O governador tem visão privatista do ensino básico e suspendeu a contratação de concursados”, afirmou.

Ele também relacionou mudanças na gestão a um aumento de afastamentos entre profissionais da educação. “Os professores estão sobre forte pressão do governo o que gerou 42 mil afastamentos por doenças emocionais associadas à deterioração salarial e desmantelamento das carreiras”, disse.

O doutor ainda mencionou o aumento de novos modelos escolares e os avaliou. “O governo também tem reforçado e ampliado as escolas cívicos militares que trazem uma proposta de ensino autoritário e militarizado incompatível com o estabelecido na Constituição da República que considera a educação um direito fundamental do cidadão voltado para o desenvolvimento cultural e científico. O ensino público não faz parte das prioridades do governo”, afirmou.

Avaliação política e efeitos das decisões

Ao avaliar o conjunto da gestão, o professor afirmou que parte das ações atende a interesses específicos. “O governo, em geral, cumpre suas promessas pois elas agradam à elite econômica do Estado. As privatizações prejudicam a população, mas os ricos ganham com elas”, declarou.

Ele também comentou repercussões políticas recentes. “O apoio a [Donald] Trump nas tarifas levantadas contra o Brasil gerou indignação mesmo entre seus apoiadores e financiadores”, disse.

No tocante à atuação de grupos contrários ao governo, o especialista explicou: “A oposição faz muitas críticas principalmente na Assembleia Legislativa. Mas com pouca repercussão junto à opinião pública uma vez que os principais meios de comunicação apoiam o governo”.

Segundo Ribeiro, esse contexto pode influenciar decisões políticas e o cenário eleitoral. “Este e outros fatores levaram o governador a desistir de candidatar-se ao cargo de Presidente da República. E terá repercussão negativa na campanha de reeleição ao governo do Estado”, afirmou.

Opinião pública e comportamento do eleitor

A percepção da população, segundo o especialista, é heterogênea: “Aparentemente uma parte está decepcionada”. Como exemplo, ele citou críticas relacionadas à concessão de rodovias. “Pagaremos duas vezes. Uma pela duplicação e outra nos pedágios”, esclareceu.

Apesar disso, Hélcio Ribeiro avalia que o governador mantém apoio relevante. “Tem uma parte da população que votará mesmo assim no governador, pois parte do eleitorado apoia a política de segurança baseada no bordão ‘bandido bom é bandido morto’”, afirmou.

Sobre a existência de dados consolidados, ele ponderou que não há métricas específicas para medir o cumprimento das promessas. “Indicadores oficiais não existem neste caso, pois todo governo sempre faz propaganda elogiosa de seus feitos”, declarou.

“Os indicadores não oficiais mostram que o governador tem bom apoio e chance de reeleição”, afirmou.

Continuidade das diretrizes iniciais

Na avaliação geral, o especialista afirmou que não identifica mudanças relevantes em relação às diretrizes iniciais do governo, indicando que a gestão mantém a linha adotada desde o início do mandato. Segundo ele, o perfil político do governador e sua condução administrativa ajudam a explicar a continuidade dessa agenda, marcada por medidas como privatizações, redução de gastos sociais e reestruturação de serviços públicos.

Ao comentar esse cenário, Hélcio Ribeiro também comentou a condução política e aos impactos dessas escolhas. “Não houve, a meu ver, alteração significativa do plano inicial. É um governador oriundo da extrema-direita bolsonarista que tem pouco apreço pela democracia e pouca habilidade política. Ele faz um esforço para implementar a agenda de privatizações, corte de gastos sociais do Estado e sucateamento de serviços públicos”, explicou.

Ele concluiu destacando diferenças de percepção entre grupos sociais. “Eu acredito que a elite econômica está satisfeita com o governo com exceção da postura de apoio às tarifas do Trump”, disse.

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