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Economia

Crise política entre Brasil e Argentina não freia avanço do comércio

Milei aumenta as críticas ao governo brasileiro, mas a rede comercial segue forte

Crise política entre Brasil e Argentina não freia avanço do comércio

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. As exportações de produtos brasileiros costumam ser maiores do que as importações, mas a corrente de comércio anual costuma alcançar, em média, US$ 30 bilhões.

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Apesar do bom relacionamento comercial, a relação geopolítica entre as lideranças dos países vem piorando desde a eleição de Javier Milei na Argentina. Durante sua campanha, Milei sugeriu que se recusaria a fazer negócios com o Brasil, que é principal parceiro comercial da Argentina e a maior economia da América Latina.

Milei, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diversas vezes durante a vitoriosa campanha presidencial em 2023. Entre as falas, chamou o brasileiro de “comunista raivoso” e “corrupto”.

Pouco depois, Lula alegou que Milei devia a ele e aos brasileiros um pedido de desculpas pelas “muitas coisas estúpidas” ditas sobre o Brasil. O presidente não compareceu à posse do argentino no final de 2023.

No último sábado (25), o chefe de Estado da Argentina participou do lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, ao Planalto. Ele discursou durante quase meia hora no evento, momento em que chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de “lixo careca” por ter negado o pedido de visita de Milei a Jair Bolsonaro.

O presidente argentino também voltou a atacar Lula, chamando-o de “condenado” e “socialista ladrão”. Em resposta, o governo brasileiro chamou de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas, bem como o embaixador da Argentina no Brasil, elevando a tensão entre os dois países.

Ainda que as divergências políticas estejam se tornando cada vez mais evidentes, o comércio bilateral voltou a crescer, o Brasil continua como principal parceiro comercial da Argentina em 2026 e a recuperação argentina impulsionou principalmente a indústria automobilística brasileira.

Argentina e Brasil mantém boa corrente de comércio

Em 2026, por exemplo, apenas os primeiros seis meses do ano já garantiram uma entrada de US$ 7,3 bilhões em produtos brasileiros na Argentina. Boa parte da relação comercial entre os países se deve às facilidades garantidas pelo Mercosul.

O bloco econômico permite exportações e importações com menor quantidade de tributos ou até mesmo isentos, o que facilita as negociações.

Porém, Milei já declarou não querer mais participar do Mercosul. Desde que assumiu a presidência da Argentina, ele passou a defender uma maior abertura comercial e possibilidade de acordos individuais.

Veja a relação comercial do Brasil e Argentina de 2021 a 2026:

Ano Exportações do Brasil para a Argentina (US$ FOB) Importações da Argentina (US$ FOB) Corrente de comércio (US$ FOB) Variação da corrente de comércio 2021 11.878.463.042 11.948.896.309 23.827.359.351 — 2022 15.344.651.930 13.099.925.718 28.444.577.648 +19,4% 2023 16.712.209.284 11.997.506.946 28.709.716.230 +0,9% 2024 13.777.621.257 13.577.045.088 27.354.666.345 -4,7% 2025 18.105.303.283 12.934.607.997 31.039.911.280 +13,5% 2026* 7.351.835.037 6.401.200.741 13.753.035.778 -55,7%*

* Dados de 2026 parciais (até a data da extração), por isso não são comparáveis com os anos completos.

Fonte: Comex Stat

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