Com o avanço online e a própria disseminação da inteligência artificial, os brasileiros se sentem cada vez mais inseguros em relação aos golpes virtuais.
É isso que aponta uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública deste ano, em que 83% da população tem medo de sofrer um golpe pela internet ou celular.
E esse receio é justificável também pelos números. De acordo com o mesmo levantamento, o Brasil presenciou mais golpes de estelionato eletrônico do que roubos nos últimos anos.
O perigo está na nossas mãos
Um relatório produzido pela NetLab.UFRJ apontou mais de 500 anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta explorando o Novo Desenrola Brasil, assim como outras políticas públicas voltadas a pessoas endividadas.
Esse material teria objetivo de promover desinformação por meio de conteúdo pago e técnicas de engenharia social.
O levantamento indica que esses 544 anúncios estão distribuídos entre 48 páginas e possuem duas abordagens: a primeira se beneficia da marca do Programa Desenrola para os anúncios, enquanto a segunda divulga um programa governamental que não existe, o Libera Brasil (que seria mais vantajoso quando comparado com o Novo Desenrola).
72% destes anúncios incluem uso indevido do nome e da imagem do governo e/ou marcas privadas; 38% contém algum conteúdo produzido por inteligência artificial; e 19,1% divulgam sites que se passam por canais oficiais do governo.
Um “novo mercado”
Fato é que nos últimos anos, muitos descobriram nesse mercado de fraudes uma oportunidade de lucrar. Quando você pensa que mais de 6 milhões de brasileiros são beneficiados pelo Novo Desenrola e 81% dessas famílias estão endividas, é possível entender o impacto e estrago de postagens como essas.
Documentos da Meta indicaram que 10% da receita em 2024 é fruto de anúncios que divulgam golpes ou itens proibidos, o que representa US$ 16 bilhões (R$ 81,4 bilhões).
A maior parte das fraudes aparece no Facebook e Instagram. Muitos dos materiais são divulgados em mais de uma plataforma da empresa, ampliando o alcance e, consequentemente, o estrago.
Regulamentação de big techs
Esse estudo se soma a inúmeras denúncias de fraudes em publicações nas redes sociais. O Brasilianista mostrou que em junho de 2026 o Supremo Tribunal Federal (STF) estipulou prazo de 60 dias para que as gigantes das redes sociais regularizassem as plataformas a fim de eliminar conteúdos deturpados ou criminosos.
O órgão definiu que, após o prazo, as empresas sejam responsabilizadas pelo conteúdo publicado por seus usuários. Por si só, a decisão não promete encerrar o assunto de vez, porém cria mais incentivos para a fiscalização online e dá um recado claro: diferente do que muitos pensavam, as big techs não são intocáveis.
Um movimento mundial
E não é só no Brasil que esse movimento vem ganhando força, como indica esta matéria de O Brasilianista, os Estados Unidos passaram a adotar uma postura mais ativa em relação às grandes empresas de tecnologia.
Alexander Coelho, especialista em Direito Digital, Inteligência Artificial e Cibersegurança, comenta sobre como as decisões dos EUA servem de exemplo para outros países: “O debate regulatório não ocorre em isolamento. Os Estados Unidos exercem papel central na definição de padrões tecnológicos e econômicos globais”.

