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Economia

Novo Desenrola é solução ou alívio temporário para o crédito no Brasil?

Especialista avalia efeitos imediatos da renegociação e aponta limites do programa diante de juros altos e renda pressionada

Novo Desenrola é solução ou alívio temporário para o crédito no Brasil?

O Novo Desenrola pode reduzir a pressão imediata sobre famílias endividadas, mas especialistas veem alcance limitado caso o país enfrente uma piora no crédito. A medida reorganiza passivos já existentes, porém não muda fatores centrais que travam empréstimos.

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Para O Brasilianista. Carlos Eduardo Oliveira Jr., conselheiro do Corecon-SP e presidente do Sindecon/SP, avalia que o programa não atua nos principais custos do sistema financeiro: “O programa pode aliviar pontualmente a situação de famílias endividadas, mas não é suficiente para enfrentar uma crise de crédito, pois não altera juros, custo do crédito nem a postura cautelosa dos bancos”.

Na prática, isso significa que consumidores negativados podem recuperar parte da capacidade financeira, mas ainda encontrar barreiras para contratar novos empréstimos. Em momentos de maior incerteza econômica, instituições financeiras costumam elevar exigências e reduzir riscos.

O especialista explicou que o formato atual traz mudanças operacionais em relação a versões anteriores, como mais digitalização e foco em faixas específicas de renda. Ainda assim, a base do programa permanece a mesma. “Na essência, porém, segue sendo um programa de renegociação de passivos existentes”, disse.

Crédito novo segue restrito

Uma das expectativas em torno do programa é a possibilidade de ampliar empréstimos para quem estava negativado. Segundo Carlos Eduardo, esse movimento tende a ocorrer de forma restrita.

“O efeito principal é sobre dívidas antigas. A liberação de crédito novo tende a ser limitada e seletiva”, pontua.

Isso significa que parte dos consumidores pode regularizar pendências sem, necessariamente, receber ofertas amplas de financiamento. Em momentos de cautela, o sistema financeiro costuma priorizar clientes com renda estável e menor chance de atraso.

“Sem aumento de renda e redução do custo do crédito, o risco de nova inadimplência permanece elevado”, esclarece. Ou seja, ele também avalia que renegociar contas vencidas não elimina o risco de reincidência. Se o orçamento seguir pressionado, o problema pode retornar nos próximos meses.

Quem mais pode sentir os efeitos?

Na avaliação do dirigente, os principais beneficiados devem estar entre famílias de baixa renda, trabalhadores informais e integrantes da Classe C com restrições no CPF.

Esse grupo ocupa posição relevante no consumo nacional, especialmente em compras do dia a dia, varejo popular e serviços básicos. Por isso, qualquer melhora na renda disponível costuma ter efeito rápido em alguns setores.

“O foco na Classe C revela fragilidade financeira, mas também importância estratégica para o consumo e o crescimento econômico”, esclarece o conselheiro.

Entre as áreas que podem perceber movimentação mais cedo estão comércio de bairro, redes varejistas populares e serviços voltados ao público de menor renda.

Renegociação recorrente e desafios estruturais

Carlos Eduardo Oliveira Jr. também alerta para o risco de o país transformar programas emergenciais em prática frequente. Segundo ele, isso pode criar a expectativa de novos parcelamentos no futuro: “Renegociações recorrentes podem incentivar a expectativa de novos programas, enfraquecendo a disciplina de pagamento”.

Ele cita que essa dinâmica já apareceu em iniciativas voltadas a empresas, como programas especiais de parcelamento tributário. “Em grande medida, sim. A recorrência de Refis e programas similares reforça esse diagnóstico”, complementa.

“Seriam necessárias medidas adicionais, como garantias públicas, estímulos à renda e políticas de crédito direcionado”, elucida. Para enfrentar uma restrição mais severa no crédito, o presidente do Sindecon/SP entende que seriam necessárias outras medidas além da renegociação de dívidas.

Na avaliação dele, o debate de longo prazo passa por renda mais consistente, juros menores e educação financeira mais ampla. “O Novo Desenrola é útil como medida de alívio social, mas insuficiente para resolver os problemas estruturais do endividamento no Brasil”, conclui.

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