O senador Cid Ferreira Gomes (PSB-CE) aparece como o principal nome na disputa por uma das duas vagas do Ceará no Senado Federal nas eleições de 2026. Segundo pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada em julho, Cid registra 26% das intenções de voto, liderando o cenário estimulado. Em seguida aparecem o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil), com 22%, e Luizianne Lins (Rede), com 14%. O levantamento indica uma disputa acirrada pelas duas cadeiras que estarão em jogo no estado.
Com mais de três décadas de vida pública, Cid Gomes ocupou cargos nos Poderes Executivo e Legislativo, incluindo os de prefeito, governador, ministro e senador. Integrante de uma das famílias mais influentes da política cearense, ele construiu uma trajetória marcada por grandes obras de infraestrutura, programas de educação e também por episódios de forte repercussão política.
Início da carreira política
Nascido em Sobral (CE), em 1963, Cid Gomes é engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). É irmão do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, com quem dividiu boa parte da trajetória política.
Sua carreira começou em 1990, quando foi eleito deputado estadual. Em 1996, ele foi eleito prefeito de Sobral. Durante sua gestão, participou da implementação de políticas voltadas à modernização da administração pública e à melhoria da educação básica, área que posteriormente se tornou uma das principais marcas da gestão municipal.
Governo do Ceará
Em 2006, Cid Gomes foi eleito governador do Ceará, sendo reeleito em 2010. Durante os oito anos à frente do Palácio da Abolição, priorizou investimentos em infraestrutura, ampliação da rede de hospitais regionais, construção de escolas profissionalizantes, expansão do abastecimento de água e obras rodoviárias.
Sua administração também ficou marcada pela ampliação da política de educação em tempo integral e pelos investimentos em segurança pública, embora esta última área tenha sido alvo de críticas em razão do aumento dos índices de violência registrados em parte do período.
Ministro da Educação
Em janeiro de 2015, Cid Gomes assumiu o Ministério da Educação no segundo mandato da então presidente Dilma Rousseff. Sua passagem pela pasta foi breve. Apenas três meses depois, deixou o cargo após um desgaste político com a Câmara dos Deputados.
O episódio ocorreu quando afirmou que havia “300 ou 400 achacadores” no Congresso Nacional. Convocado para prestar esclarecimentos aos parlamentares, reafirmou as críticas durante sessão na Câmara e acabou pedindo demissão do ministério pouco tempo depois. O episódio teve grande repercussão nacional e marcou uma das crises políticas do início do segundo governo Dilma.
Chegada ao Senado
Em 2018, Cid Gomes foi eleito senador pelo Ceará. No Senado Federal, passou a integrar comissões voltadas ao desenvolvimento regional, educação, infraestrutura e assuntos econômicos.
Ao longo do mandato, também atuou em discussões relacionadas ao pacto federativo, financiamento de obras públicas e fortalecimento dos municípios nordestinos. Sua atuação é frequentemente associada às pautas de desenvolvimento regional e ao fortalecimento das políticas públicas para o Nordeste.
O episódio do motim da Polícia Militar
Um dos momentos mais marcantes da trajetória política de Cid Gomes ocorreu em fevereiro de 2020, durante a paralisação de policiais militares no Ceará. Na ocasião, o então senador dirigiu uma retroescavadeira em direção a um batalhão ocupado por policiais amotinados que impediam a saída de viaturas.
Durante a ação, foi atingido por disparos de arma de fogo e precisou ser hospitalizado. O episódio ganhou repercussão nacional e passou a simbolizar a grave crise na segurança pública enfrentada pelo estado naquele período.
Cid afirmou que tentava garantir o funcionamento das instituições e impedir a continuidade do motim, enquanto opositores criticaram sua decisão de enfrentar diretamente os manifestantes.
Investigações e polêmicas
Ao longo da carreira, Cid Gomes teve seu nome citado em investigações relacionadas à Operação Lava Jato, especialmente após delações premiadas de executivos da Odebrecht. As apurações analisaram supostos repasses de recursos para campanhas eleitorais no Ceará. O senador sempre negou qualquer irregularidade e afirmou que todas as doações recebidas foram realizadas dentro da legislação eleitoral.
Até o momento, Cid Gomes não possui condenação criminal relacionada às investigações da Lava Jato, e parte dos procedimentos foi arquivada por ausência de provas suficientes ou perdeu objeto após decisões judiciais.
Além disso, sua trajetória política também foi marcada por disputas com antigos aliados, especialmente durante o rompimento político entre o grupo liderado pelos irmãos Ferreira Gomes e setores do Partido dos Trabalhadores no Ceará.

