As ações da Apple (APPL) na Nasdaq, um dos índices da bolsa de Nova York, fecharam o pregão da última sexta-feira (31) em queda de 7,35%, cotadas a US$ 308,91. A data foi uma das piores para a empresa em seis anos, que viu seu valor de mercado encolher mais de US$ 500 bilhões após os ativos derreterem mais de 10% ao longo do dia.
O movimento aconteceu devido a uma previsão de que a fabricante do iPhone pode ter dificuldades para garantir componentes suficientes para manter sua produção, ao mesmo tempo em que o aumento dos data centers impulsionados por inteligência artificial (IA) pressiona as cadeias de suprimentos globais.
Apesar de ter recuperado parte desses US$ 500 bilhões a menos em valor de mercado no mesmo dia, o pessimismo persiste. A escassez de suprimentos para a fabricação de itens de tecnologia abala boa parte das empresas ao redor do mundo, especialmente aquelas de países que dependem do Estreito de Ormuz para a comercialização.
A passagem no Oriente Médio está bloqueada em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã. Sem possibilidade de comercialização em massa, a oferta diminui ao mesmo tempo em que a demanda cresce exponencialmente. Por consequência, os preços dos produtos da Apple podem ser ajustados de forma significativa.
Reportagem da Reuters mostrou que o CEO da empresa, Tim Cook, classificou a escassez como “muito significativa” e revelou que a Apple tinha opções limitadas para resolvê-la. A fala aconteceu durante sua última teleconferência de resultados como presidente-executivo, antes de passar o bastão para John Ternus em setembro.
O planejamento inicial da gigante da maçã era amenizar parte do impacto do aumento dos custos de memória e dos suprimentos utilizando seus estoques acumulados. A tática funcionou por um tempo, mas o CEO confirmou que essa reserva estava se esgotando. Além disso, a falta de processadores começou a acender um alerta sobre como a empresa deve atender à forte demanda por iPhones e Macs.
Outro ponto que contribui para o pessimismo do mercado financeiro foi a previsão de crescimento de receita abaixo do esperado por Wall Street. Enquanto o mercado esperava 12% de aumento para o próximo trimestre, o documento divulgado na última quinta-feira (30) mostrou uma previsão de 9% a 11%.
O impacto chega também na nova geração do iPhone
Setembro é o mês da Apple. Há anos, a marca divulga todas as suas novidades em um determinado dia desse mês. Entre os itens mais esperados, investidores e consumidores aguardam pelo lançamento da geração mais recente do iPhone.
Em 2026, a empresa lançará a linha iPhone 18, que deve contar com inovações de inteligência artificial e até mesmo um aparelho dobrável. Mas o preço da nova geração deve aumentar mais do que a média de lançamentos da Apple.
Ainda que garanta margem de negociação com os fornecedores, ela não deve escapar do aumento nos custos de produção. Somente os componentes de memória dessa linha devem custar aproximadamente US$ 150. Reportagem do Times Brasil calculou que a produção total do item pode chegar a US$ 726 por unidade.
Para quem for comprar o iPhone, pode sentir o bolso bem mais apertado: o valor de venda final do iPhone 18 Pro (versão mais cara) poderia chegar a US$ 1.299 – cerca de R$ 6.600 sem incluir impostos e política de preços da Apple no Brasil. Atualmente, para fins de comparação, o iPhone 17 Pro de 256 GB custa U$ 1.099 nos EUA e a partir de R$ 11.499 no Brasil.

