A nova pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira, 10, mostra que quase 20% dos eleitores ainda não decidiram em qual candidato irão votar para o cargo de presidente da República em outubro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, segue na liderança, com 36% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 29%.
O instituto ouviu 2.001 pessoas entre os dias 7 e 9 de agosto, além de adotar margem de erro de dois pontos percentuais.
O pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD-GO) está em terceiro lugar, com 3% das intenções. O fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Partido Missão, Renan Santos, tem 2%, e Romeu Zema, do Novo, apenas 1%.
Entre os entrevistados que disseram que pretendem anular o voto, o percentual é de cerca de 7%.
As pesquisas realizadas entre 30 de março e 10 de agosto mostram uma estabilidade de Lula. Na primeira pesquisa, o presidente tinha 32% das intenções, enquanto, em 29 de junho, apresentou 38%. Desde a pesquisa de 27 de julho, ele marca 36%.
Flávio passou pelas três primeiras pesquisas com 26% das intenções de voto. Em 25 de maio, o eleitor que pretende anular o voto apresentou o mesmo percentual. Em 13 de julho, o senador atingiu o menor nível registrado, 24%, mas se recuperou.
Crise de Flávio na campanha e a busca do(a) vice
A instabilidade entre os candidatos, especialmente no caso de Flávio, ocorre após o senador lidar com uma crise no núcleo familiar com a sua madrasta, Michelle Bolsonaro, e que agora buscam conciliação para não prejudicar a campanha entre o eleitorado feminino e evangélico.
O senador também entrou na mira da Polícia Federal (PF), que, após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga o repasse de R$ 61 milhões feito pelo ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o fundo de financiamento privado do filme Dark Horse.
Flávio segue na campanha sem apoios oficiais de partidos estratégicos para firmar alianças — como União, Progressistas e Republicanos, que sinalizaram que vão seguir neutros —, além de buscar expandir o tempo de TV, que vai dividir a atenção com Lula.
No dia 5 de agosto, último dia das convenções para definir os nomes para as disputas majoritárias, Flávio indicou para o cargo de vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que trabalhou na CPMI como relator do escândalo do INSS e incluiu, em sua lista de indiciados, o filho do presidente Lula. O relatório não foi aprovado.
A definição do nome antecede o “não” da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que, durante a convenção, apoiou a disputa, mas cujo partido descartou a função e sinalizou neutralidade.
Crise do governo Lula no INSS e Lulinha
Embora Lula sinalize que, caso sejam encontrados indícios que envolvam seu filho, Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), ligado à investigação do Banco Master, ele não terá privilégios e terá que responder à Justiça, a PF investiga se houve tráfico de influência para favorecer Antônio Carlos Camilo Antunes (o Careca do INSS) e a empresária Roberta Luchsinger, e se existem pessoas dentro do governo que receberam recursos ilícitos para favorecê-los.
Recentemente, o ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, deixou o cargo após ser revelado que o assessor recebeu pagamento de Luchsinger, empresária e amiga de Lulinha.
Marco Aurélio disse, em nota, que recebeu os recursos, mas negou qualquer tipo de irregularidade, afirmando que esses valores se tratavam de um empréstimo pessoal já quitado. Lula, na tentativa de defender o ex-chefe de gabinete, declarou: “Quem nunca pediu um empréstimo a um amigo?”.
Acontece que a PF ainda apura como ocorreu essa saída, uma vez que existe a suspeita de vazamento de informações sigilosas sobre os pagamentos a Marco Aurélio e a antecipação de sua saída do cargo. Após a repercussão, ele deixou também a campanha de Lula.
Além disso, a Operação Compliance Zero revelou troca de favores entre aliados de Lula e Flávio com os ex-dirigentes do Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, envolvendo o senador Jaques Wagner (PT) e o senador e ex-ministro da Casa Civil da gestão Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP). Ambos disputam a reeleição.
A questão de Caiado
Especialistas disseram a O Brasilianista que o desafio do ex-governador de Goiás é disputar o espaço da própria direita.
A tendência, por exemplo, é que Renan Santos e Caiado introduzam em seus discursos ataques a Flávio para disputar a fragmentação do eleitor de direita.
A avaliação é que Caiado ainda é conhecido por sua gestão no governo do Estado, mas ainda não ganhou alcance e projeção nacional.
Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, irá compor sua chapa como vice-presidente. O partido, inclusive, desponta nas eleições municipais, conquistando mais cadeiras em cargos municipais. A legenda segue com o maior número de prefeituras em diversas capitais consideradas estratégicas, como Rio de Janeiro, São Luís, Florianópolis, Curitiba e Belo Horizonte.

