José Múcio, ministro da Defesa, declarou na última sexta-feira (5) que está preocupado que a fronteira do Brasil com a Venezuela se transforme em uma “trincheira” diante das crescentes tensões, em especial com os Estados Unidos.
Durante o mês passado, uma movimentação militar dos EUA em águas próximas ao território venezuelano enviou sete navios de guerra e um submarino com propulsão nuclear — com mais de 4500 marinheiros e fuzileiros navais. As informações são da CNN.
“Estamos deslocando tropas para a fronteira, pensando na COP30. Pensando em dar uma maior assistência a uma parte da fronteira mais inóspita, mais inacessível. Aí, de repente, estourou esse problema”, afirmou Múcio. Segundo ele, a prioridade brasileira é evitar que a região se torne palco de um conflito regional.
O ministro destacou que o Brasil mantém sua tradição pacífica, ainda que reforce a presença militar em áreas estratégicas.
Tensões diplomáticas da Venezuela
O governo de Nicolás Maduro voltou a ameaçar a Guiana com a possibilidade de invasão militar na disputa pelo território do Essequibo, área rica em petróleo e alvo de contencioso histórico entre os dois países.
Em maio, Maduro disse que a Guiana terá que “aceitar a soberania da Venezuela” sobre o território. A informação é do g1.
O governo guianense, por sua vez, tem reforçado a cooperação com Washington e intensificado a retórica contra Caracas. Georgetown, capital da Guiana, acusa Maduro de “ameaça direta à integridade territorial” e já sinalizou que pretende acionar novamente organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), para conter os avanços venezuelanos.
Em resposta, os Estados Unidos intensificaram sua presença no Caribe e já deslocaram navios para a costa venezuelana. Segundo autoridades americanas, em uma das operações recentes, forças navais afundaram uma embarcação que supostamente transportava drogas na região.
Segundo a CNN, o presidente Donald Trump, afirmou que o movimento faz parte dos esforços para o combate aos cartéis de drogas dentro da Venezuela. No último domingo (7), Trump disse “vocês vão descobrir” ao responder uma pergunta sobre um possível ataque em território venezuelano.
Já Maduro respondeu aos avanços militares dos EUA e comentários de Donald Trump afirmando que a Venezuela “tem capacidade absoluta de triunfar”. A declaração do líder do país vizinho aconteceu na última sexta-feira (5), em vídeos publicados nas suas redes sociais.
O que diz o Itamaraty?
Além de Múcio, o Ministério das Relações Exteriores — também conhecido como Itamaraty — tem monitorado de perto o conflito e, em nota, reiterou que o Brasil “defende a solução pacífica das controvérsias” e apoia os mecanismos multilaterais, como a Corte Internacional de Justiça (CIJ), para tratar da disputa territorial entre Caracas e Georgetown.
Segundo o mestre em Ciência Política e jornalista, Murillo de Aragão, diplomatas brasileiros avaliam que qualquer escalada militar no Essequibo teria efeitos imediatos sobre a segurança regional, com impacto humanitário na fronteira e pressão migratória sobre Roraima.
Vale lembrar que o Brasil compartilha mais de 2 mil quilômetros de fronteira com a Venezuela e, historicamente, atua como mediador em disputas sul-americanas.

