Nesta segunda-feira (06), Sébastien Lecornu, primeiro-ministro da França, renunciou ao cargo, menos de um mês depois de assumir a função. A decisão foi confirmada pelo Palácio do Eliseu e aceita pelo presidente Emmanuel Macron. A renúncia ocorre em meio à crescente tensão política e amplia a incerteza sobre os próximos passos do governo francês.
Governo mais curto da Quinta República
De acordo com o Estadão, Lecornu havia sido nomeado em 09 de setembro e liderou o governo por apenas 27 dias, cumprindo o mandato mais curto desde 1958, quando foi criada a Quinta República. Ele substituiu François Bayrou, que deixou o cargo após perder um voto de confiança no Parlamento.
Antes de assumir o posto, Lecornu foi ministro da Defesa e destacou-se por planejar um reforço militar até 2030, em resposta à guerra entre Rússia e Ucrânia.
Falta de consenso entre partidos
Em discurso no pátio do Palácio de Matignon, sede do governo francês, o agora ex-premiê justificou sua decisão pela falta de diálogo entre os partidos. “Eu estava pronto para ceder, mas cada partido político queria que o outro adotasse todo o seu programa”, afirmou.
Ele também mencionou que a formação do novo gabinete despertou disputas partidárias ligadas às eleições presidenciais futuras.
Macron diante de um impasse político
Após a renúncia, Macron enfrenta três opções: nomear um novo primeiro-ministro, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições legislativas ou, em último caso, renunciar, medida considerada improvável.
Conforme o G1, a dissolução do Parlamento é vista como um risco, já que o partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, vem crescendo nas pesquisas e poderia conquistar maioria.
Oposição pede novas eleições e impeachment
A saída de Lecornu provocou forte reação entre os líderes da oposição. Marine Le Pen afirmou à emissora BFM que novas eleições são necessárias. “Eu conclamo o presidente da República a dissolver a Assembleia Nacional (…) chegamos ao fim da piada, a farsa já durou tempo demais”, declarou a líder do RN.
Já Jean-Luc Mélenchon, chefe do partido de esquerda França Insubmissa, anunciou que vai solicitar ao Parlamento a votação de uma moção de impeachment contra Macron.
“Após a renúncia de Sébastien Lecornu, pedimos a consideração imediata da moção apresentada por 104 deputados para o impeachment de Emmanuel Macron”, escreveu Mélenchon no X (antigo Twitter).
França em meio a dívidas e impopularidade
A França é atualmente o país mais endividado da União Europeia em valores absolutos. Além disso, o governo Macron enfrenta queda de popularidade, impulsionada por medidas impopulares, como a reforma da Previdência, que aumentou a idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos.
É importante ressaltar que, com o segundo mandato em curso até 2027, Macron não pode concorrer novamente à presidência.

