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Lula muda o alvo

O presidente decidiu mirar um novo adversário pela derrota da MP do IOF: as fintechs

Lula muda o alvo

A derrota da MP do IOF ainda ecoa no Planalto. Irritado com o revés na Câmara, o presidente Lula decidiu mirar um novo adversário: as fintechs. Em conversa reservada, teria dito que “essas empresas já são maiores que bancos e precisam pagar o que devem”. A frase, repetida depois em entrevista, não foi por acaso — foi recado direto ao mercado financeiro digital, que o governo acredita estar jogando contra sua agenda fiscal.

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O troco raivoso de Haddad

Fernando Haddad saiu da derrota da MP com o discurso pronto: “justiça fiscal não é opcional”. O ministro prepara agora um pacote alternativo que pode incluir ajustes no IOF, mudanças na CSLL e um projeto de lei complementar para recompor a arrecadação. Nos bastidores, assessores da Fazenda admitem que o tom será mais pragmático — menos política, mais técnica — mas sem abrir mão de cobrar o setor financeiro.

Faria Lima dividida

Na Avenida Faria Lima, o assunto é delicado. Parte dos gestores vê sentido na equiparação tributária entre fintechs e bancos. Outra parte teme o efeito colateral: o risco de o governo avançar demais e criar instabilidade regulatória. Um gestor resumiu o sentimento: “A ideia de justiça fiscal é boa, o problema é quando o governo resolve praticá-la na base do susto.”

Bancos respiram aliviados

Se o governo perdeu no plenário, os bancos tradicionais saíram satisfeitos. A MP caiu, mas a discussão sobre taxar fintechs ganhou corpo — exatamente o que o setor queria. Executivos do alto escalão bancário avaliam que o Planalto, agora, fará o trabalho que o lobby deles começou discretamente: nivelar o campo de jogo.

Fintechs em alerta

No setor digital, a sensação é de que a trégua será curta. Líderes de fintechs consideram que o discurso presidencial abriu uma temporada de caça. Um deles comentou, em tom de ironia, que “depois das bets, chegou a nossa vez”. A estratégia, por ora, é manter discrição e reforçar a narrativa de que o segmento já paga mais impostos do que os bancos.

O pano de fundo político

O episódio da MP do IOF expôs uma fissura no coração da base governista: dificuldade de articulação e fadiga entre aliados do centrão. Hugo Motta, presidente da Câmara, tentou segurar o texto, mas perdeu a conta dos desertores na última hora. A avaliação no Congresso é que a Fazenda perdeu o timing e o Planalto, a paciência. Lula quer um novo texto — e, desta vez, alguém para culpar se der errado.