Foi entreouvido ontem, no cafezinho da Câmara, o comentário espirituoso de dois parlamentares: “Nossa, que barraco feio no Supremo Tribunal Federal! O pior é que os ministros nem se preocupam em esconder o ocorrido — e depois dizem que nós, congressistas, é que somos barraqueiros.” Ponto. Teve quem completasse: “Faltou só jogar a toga pra cima e pedir replay.”
Pegou Mal
O embate entre dois ministros do STF, velhos desafetos, mostrou que o Supremo anda mais para Octagon do que para tribunal. O episódio, rapidamente vazado para a imprensa, repercutiu muito mal entre advogados e juristas, que viram falta de contenção e de respeito entre os magistrados. Um advogado resumiu: “Estão confundindo sessão plenária com mesa-redonda de futebol.”
Instabilidade Emocional
Para alguns deputados, o episódio reacendeu um debate curioso: os ministros do Supremo deveriam passar por testes psicotécnicos e ter acompanhamento psicológico permanente. A justificativa é simples — se cobram equilíbrio do país, deveriam começar demonstrando equilíbrio dentro da própria Corte. Um parlamentar brincou: “Podiam aproveitar e marcar terapia em grupo — e sem pauta sigilosa.”
Sabotagem
Na mesma hora do jantar em homenagem ao ministro Luís Roberto Barroso, o presidente Lula convocou uma reunião no Alvorada com outros ministros do STF. Coincidência? Há quem diga que não. Nos bastidores, comenta-se que o gesto foi interpretado como uma “vingancinha” presidencial pelo fato de Barroso não ter comunicado pessoalmente sua decisão de deixar o Supremo. Um petista mais espirituoso resumiu: “Quem não avisa o chefe, perde o jantar .”
Favor com efeito colateral
O fato de Davi Alcolumbre ter cancelado a sessão do Congresso que examinaria os vetos presidenciais — em especial o veto ao Licenciamento Ambiental — foi interpretado como um favor ao presidente Lula. O Planalto queria evitar uma derrota constrangedora às vésperas da COP30, em Belém.
Mas o gesto virou munição contra o próprio Alcolumbre. Irritada, a oposição no Senado acusa o presidente da Casa de agir como porteiro do Planalto, sempre pronto a fechar a porta para o que desagrada o governo. Como disse um senador: “Davi não segura o bastão, segura o escudo.”

