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Café Amargo

Mentira deslavada

Declarações no Supremo e movimentações no Congresso revelam a disputa por influência e poder nos bastidores de Brasília

Mentira deslavada

O ministro Dias Toffoli não hesitou: chamou de “lenda urbana” e “mentira deslavada” a narrativa de que o STF julga majoritariamente monocraticamente. Segundo ele, a Corte julga de forma colegiada mais de 14 000 processos por ano — número que, em sua avaliação, nenhum tribunal semelhante alcança. A declaração soou para muitos como um recado direto: “parem com o mimimi do monocrático” — e olhem para os números.

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Davi quer mais

Mesmo satisfeito com a licença para exploração da margem equatorial, Davi Alcolumbre não se dá por contente. O Amapá vai receber uma montanha de dinheiro com os royalties do petróleo, mas o senador quer algo ainda mais valioso: a indicação de Rodrigo Pacheco para o STF. Lula achou que o presente resolveria o problema — mas, em Brasília, presente bom é aquele que vem com o próximo já embalado. A pressão vai continuar…

Royalties e reciprocidades

Nos bastidores, a leitura é simples: o gesto de Lula em liberar a licença ambiental do Ibama foi interpretado como um agrado a Davi. Mas em política, agrado não encerra o jogo — apenas muda o placar. O senador, que conhece os bastidores como poucos, faz contas de poder e já prepara o próximo movimento. A amizade entre o Planalto e o Amapá pode estar garantida, mas a fatura da reciprocidade ainda vai ficar circulando na Praça dos 3 Poderes.

Tem que querer querendo

A indústria petroquímica está em crise — no mundo e no Brasil. Enquanto a China subsidia e a Coreia do Sul financia, por aqui a equipe econômica parece praticar jiu-jítsu com o setor: em vez de apoiar, complica. O novo Plano de Recuperação da Petroquímica, que pode salvar milhares de empregos diretos e indiretos, continua preso na burocracia. O presidente Lula não está gostando da demora. E deixou claro a interlocutores na Indonésia que quer solução, não explicação. Em Brasília, quando o chefe diz que “tem que querer querendo”, é sinal de que a paciência acabou.

A vez dos octogenários

O tempo anda generoso com quem já sopra oitenta velinhas. Lula chega aos 80 com disposição de candidato e vontade de estreante. Marconi Perillo garante que seu “presidente ideal” é Michel Temer, outro veterano de fôlego institucional. E, para completar o quadro, Paul Biya, de Camarões, foi reeleito aos 91. Parece que a nova tendência da política mundial é antiga: experiência e longevidade.