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Quem armou para quem?

Derrite recebeu um aceno, avançou em suas teses e agora vê o governo recuar passo a passo

Quem armou para quem?

Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança de São Paulo e deputado em ascensão, caiu — segundo a imprensa — numa armadilha política ao relatar a chamada “Lei Antifação”. Tentou aprovar um texto mais duro, reconfigurado em relação ao projeto original, e acabou derrotado. Seus recuos foram festejados como sinal de fraqueza.

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Mas uma leitura mais fria revela outra história. Derrite recebeu um aceno, avançou em suas teses e agora vê o governo recuar passo a passo. Se conseguir emplacar parte de suas propostas, marcará pontos com o eleitorado conservador, que valoriza políticas de endurecimento no combate ao crime.

E se o projeto for vetado — mesmo parcialmente — o ônus recairá sobre o Planalto, que será acusado de se opor ao “combate à criminalidade”. Assim, para o desgosto de muitos, Derrite ainda não perdeu a disputa. Pode, na verdade, estar apenas aguardando o momento certo de devolver a armadilha.