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Justiça

Operação Pix: Novo adiamento levanta suspeitas no caso de desvio de doações em Salvador

A Operação Pix investigou um esquema que movimentou mais de R$ 800 mil em doações que deveriam ter sido destinadas a pessoas vulneráveis.

Operação Pix: Novo adiamento levanta suspeitas no caso de desvio de doações em Salvador

O julgamento da Operação Pix sofreu um novo adiamento. O caso trata de um esquema denunciado pelo Ministério Público da Bahia envolvendo envolvendo 12 réus acusados de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

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A Vara dos Feitos Relativos a Delitos de Organização Criminosa de Salvador redesignou as audiências de instrução processual para maio de 2026, após ter o pedido de uso do auditório do Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto negado pela presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargadora Cynthia Resende.

O pedido para usar o auditório, feito pelo juiz Waldir Viana Ribeiro Junior, foi negado pela presidência do TJBA a pretexto do Mês Nacional do Júri. O novo cronograma estabelecido prevê que a audiência seja realizada em 6 de maio de 2026, às 8h30min, com a oitiva das testemunhas remanescentes arroladas pela acusação e pelas defesas, e em 7 de maio, a partir das 8h30min, com o interrogatórios dos réus.

A decisão de adiar o caso reacende especulações nos bastidores judiciais, pois o réu Marcelo Castro é genro de Maricelia Araujo Mazzei, ex-assessora da Presidência do TJBA e mãe da jornalista Daniela Mazzei. Maricelia foi aposentada em 1º de fevereiro de 2024, data em que Cynthia Resende foi empossada como Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA).

Operação Pix

O processo, que tramita em segredo de Justiça, trata de um esquema de desvio de mais de R$ 800 mil em doações via PIX que deveriam ter sido destinadas a vítimas em situação de vulnerabilidade que participavam de reportagens jornalísticas. Os 12 suspeitos (leia a lista completa no fim desta notícia) são acusados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Dois dos supeitos, os jornalistas Marcelo Castro e Jamerson Oliveira, são apontados como líderes do grupo, juntamente com Lucas Costa Santos. Castro, como repórter, pedia doações com uma chave PIX que era exibida na tela, sabendo que as contas pertenciam a terceiros envolvidos no esquema. Jamerson, editor-chefe, autorizava a exibição da chave, também ciente da fraude. Lucas, operador, cooptava participantes (a maioria com laços familiares com ele) para cederem suas contas bancárias.

As vítimas eram cidadãos em situação vulnerável (por problemas de saúde ou financeiros) que participavam de reportagens no telejornal. Elas eram levadas a acreditar que a chave PIX divulgada era da emissora ou de alguém ligado ao programa, quando, na verdade, a maior parte dos valores doados era desviada pelos suspeitos, recebendo as vítimas apenas “uma ínfima quantia”, segundo o MP-BA.

O caso veio à tona em março de 2023 após uma denúncia informal à Record, que iniciou duas investigações, uma da própria emissora e outra da Polícia Civil. A desconfiança surgiu quando um jogador de futebol interessado em doar para uma criança notou a divergência entre a chave PIX exibida na TV (que descobriu ser de um “rifeiro”) e a conta real da mãe da criança, o que revelou o esquema de desvio.

Suspeitos:

  1. Marcelo Valter Amorim Matos Lyrio Castro
  2. Jamerson Birindiba Oliveira
  3. Lucas Costa Santos
  4. Alessandra Silva Oliveira de Jesus
  5. Carlos Eduardo do Sacramento Marques Santiago de Jesus
  6. Daniele Cristina da Silva Monteiro
  7. Débora Cristina da Silva Monteiro
  8. Eneida Sena Couto
  9. Gerson Santos Santana Junior
  10. Jakson da Silva de Jesus
  11. Rute Cruz da Costa
  12. Thais Pacheco da Costa

O Brasilianista questionou o TJBA sobre os motivos do adiamento do caso. A corte respondeu que não vai se manifestar porque o processo está sob segredo de Justiça. “O acesso às informações e documentos relacionados é restrito, ficando limitado às partes envolvidas, aos seus advogados e aos órgãos responsáveis pela condução do processo”, complementou a corte.