A operação da Polícia Federal contra o Banco Master, nesta terça-feira (18), tem potencial para abalroar o mundo político. Augusto Lima, ex-CEO da instituição financeira que foi preso hoje, é muito bem relacionado na política da Bahia e na nacional. Não foram poucos os jantares oferecidos pelo executivo a políticos baianos e de outros estados.
A proximidade de Lima com a política desconhece fronteiras ideológicas, pois ele fala com ACM Neto da mesma forma que conversa com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com o senador Jaques Wagner. Augusto Lima foi o criador do CredCesta, cartão de crédito para servidores da Bahia conseguirem empréstimos consignados. A ideia surgiu e foi colocada em prática com muita ajuda de João Roma, ex-assessor direto do neto de Antônio Carlos Magalhães.
Mas as relações políticas de Lima não se limitam à Bahia. Em seu último aniversário, o ex-CEO do Banco Master reuniu líderes do centrão e outros nomes fortes da elite decisória brasileira. Ainda no plano nacional, Lima conseguiu mais contatos depois que casou com Flavia Peres (ex-Flavia Arruda). Ela o ajudou a conversar melhor com parte do Bolsonarismo e outras figuras do Centrão.
Prende e afasta agora
A operação que prendeu Lima e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi adiantada pela Polícia Federal devido à compra da instituição financeira pela Fictor. Essa operação alertou a PF sobre o risco de fuga da dupla. Vorcaro foi preso em Guarulhos, enquanto aguardava um avião particular.
A Polícia Federal suspeita de fraude na compra do Master pela Fictor. A operação teria sido realizada, segundo fontes a par das investigações, para garantir a fuga de Vorcaro.
Esse adiantamento da operação também acelerou o afastamento da diretoria do BRB. Os diretores do banco público foram alvo de decisão judicial por suspeitas de fraude. O Brasilianista apurou que o Banco Regional de Brasília comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master nos últimos três anos.
Há suspeita de que essas carteiras sejam fraudulentas, assim como a compra do Master pela Fictor. Essas operações foram feitas antes do início das negociações para o BRB comprar o Master.
Esse contexto coloca Ibaneis Rocha, governador do DF, sob pressão, pois o Distrito Federal, junto com a União, teriam que arcar com o prejuízo não coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito, que limita ressarcimentos a R$ 250 mil por correntista.
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todos os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

