O senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu o adiamento do depoimento que prestaria à Polícia Federal nesta sexta-feira (07) no âmbito da Operação Compliance Zero.
A defesa afirma que ainda não teve acesso ao conteúdo integral da investigação e sustenta que o parlamentar somente prestará esclarecimentos após analisar os autos do inquérito.
O pedido ocorre poucos dias depois de outro adiamento envolvendo a mesma investigação. No início da semana, o depoimento do empresário Augusto Lima, ex-sócio do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, também foi remarcado.
Segundo os advogados, a solicitação foi apresentada com antecedência e decorre exclusivamente da impossibilidade de consultar os documentos da investigação.
Os advogados afirmam que Jaques Wagner pretende colaborar com a investigação, mas defendem que o acesso ao inquérito é condição necessária para que o depoimento seja prestado.
Operação investiga relação com ex-executivos do Banco Master
O depoimento faz parte da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e investiga a relação entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Como mostrou O Brasilianista, a Polícia Federal afirma ter identificado mensagens, operações financeiras e negociações imobiliárias que aproximam o senador de integrantes do chamado ecossistema financeiro do Banco Master.
A investigação reúne elementos sobre pagamentos, aquisição de imóvel em Salvador e movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar.
PF apontou empresa usada para intermediar compra de imóvel
A Polícia Federal detalhou o papel da Epítome S.A., empresa que, segundo o inquérito, atuaria como intermediária na compra de um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, que seria adquirido do senador Jaques Wagner.
Os investigadores afirmam que a companhia teria funcionado como um “veículo de fachada” para ocultar os verdadeiros interessados na operação.
A PF também destacou que a empresa elevou seu capital social de R$ 100 para R$ 2 milhões e apontou inconsistências entre o patrimônio declarado de seu proprietário, Luiz Antonio Lombardi, e a estrutura societária identificada durante a investigação.
O Brasilianista informou que empresas ligadas ao núcleo familiar do senador também aparecem no material reunido pela Polícia Federal.
Segundo o relatório, diálogos extraídos de celulares dos investigados indicam cobranças de pagamentos destinadas à BN Representações Tecnológicas Ltda., empresa vinculada à família de Jaques Wagner.
Os investigadores afirmam ainda ter identificado uma transferência de R$ 3,5 milhões realizada pela PKL One Participações Ltda., empresa ligada à operação da Credcesta.
A PF também aponta indícios de outros repasses financeiros relacionados ao grupo investigado e afirma que as operações podem integrar um mecanismo de dissimulação de pagamentos.
Nota da defesa de Jaques Wagner
“O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês.
O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação e o que, de fato, está sendo investigado, pois esse é um direito seu. Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor.
A defesa não fará considerações sobre o mérito até possuir esses dados para análise.”

