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Justiça

Jaques Wagner e Augusto Lima falaram sobre CPI do Master, BRB, Will Bank e BC, diz PF

Investigação da Polícia Federal mostrou o tipo de relação mantida entre o senador e o ex-CEO do banco de Daniel Vorcaro

Jaques Wagner e Augusto Lima falaram sobre CPI do Master, BRB, Will Bank e BC, diz PF

Não foi apenas a operação de venda do Banco Master ao BRB que o senador Jaques Wagner (PT-BA) discutiu com o ex-CEO da instituição, Augusto Lima.

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O pré-candidato ao Senado pela Bahia também passou a ser informado sobre a elevação da nota de crédito do banco e a capacidade do Master de cumprir suas obrigações financeiras, respondendo às mensagens com três figuras de “mãos em oração”.

Durante a investigação, as autoridades descobriram trocas de mensagens entre o senador e o empresário sobre mudanças na estrutura acionária do Master, a elevação da nota de crédito do banco pela agência Fitch e compra do banco.

Os diálogos também abordavam a aprovação de requerimento no Senado para convidar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a prestar informações sobre a operação do BRB, além da atualização das assinaturas para a instalação da CPI do Banco Master.

Will Bank

Em outubro de 2024, Wagner recebeu de Augusto Lima informações sobre a fintech Will Bank, que pertencia ao grupo Master.

Ao receber uma reportagem sobre o risco de o governo barrar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, a PF afirma que o senador passou a acompanhar a pauta relacionada à instituição.

Em 2024, o Banco Master havia adquirido o Will Bank. Em setembro de 2025, a instituição já apresentava patrimônio líquido negativo de R$ 76 milhões e não tinha mais condições de cumprir seus compromissos financeiros.

O Will Bank passou a não honrar pagamentos junto à Mastercard, o que levou ao bloqueio da instituição.

O banco foi liquidado pelo Banco Central em janeiro de 2026, após a falência do Banco Master. A justificativa foi a inexistência de uma solução para manter a instituição em operação. O Will Bank atendia mais de 6 milhões de clientes. Para ressarcir os correntistas, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precisou arcar com aproximadamente R$ 6 bilhões.

Banco Central

Lima, no entanto, demonstrava preocupação com o risco de o governo Lula barrar a PEC de autonomia do BC, já que isso poderia colocar em risco o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por esse motivo, encaminhou ao senador a emenda relacionada à proposta.

A PEC, conforme explicou O Brasilianista, trata do regime jurídico do Banco Central do Brasil e ampliaria sua autonomia administrativa e financeira.

A justificativa da proposta destaca que outros bancos centrais, como o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e o Banco do Canadá, já operam com autonomia financeira semelhante, sem prejuízo da supervisão externa.

CPI do Banco Master

Em abril de 2025, Augusto Lima também pediu ao senador uma atualização sobre o número de assinaturas para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master, que precisava do apoio de 171 parlamentares.

Políticos da oposição protocolaram o pedido com o apoio de 42 senadores e 238 deputados em 2026. No entanto, a iniciativa não prosperou e não há sinalização sobre sua instalação.

O processo permanece paralisado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não realizou a leitura do requerimento, o que travou politicamente o andamento da comissão. A leitura precisa ocorrer em uma sessão conjunta do Congresso Nacional.

A investigação não esclarece o conteúdo das conversas entre os dois sobre a criação da comissão.

BRB e Banco Master

Em março e abril de 2025, o senador Jaques Wagner foi informado sobre a aprovação da aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Augusto Lima afirmou a Wagner que, mesmo com a operação de venda, o grupo permaneceria no controle da instituição. Para a PF, essa troca de mensagens evidencia o grau de envolvimento direto do senador. Em uma das mensagens, Augusto Lima escreveu: “Você, mais do que ninguém, sabe da minha história e faz parte disso!”

“[…] nas próprias palavras do investigado, Jaques Wagner não era mero destinatário passivo de informações, mas parceiro consciente da trajetória do banco e das operações a ele associadas”, explica a PF.

As operações bilionárias entre o BRB e o Banco Master revelaram fraudes, sobretudo relacionadas à aquisição de títulos considerados podres. 

O Governo do Distrito Federal firmou um acordo com a União para obter um empréstimo de R$ 6,5 bilhões destinado à recuperação do banco. O recurso não tem origem no Tesouro Nacional e a operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. 

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) passou a investigar essa medida, uma vez que o Distrito Federal foi classificado com baixa capacidade de cumprir seus compromissos financeiros (nota C).

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