O presidente Lula (PT) inicia, nesta semana, um giro pela África do Sul e Moçambique que sintetiza a ambição do governo de recuperar protagonismo internacional e transformar capital político externo em ganhos econômicos concretos. Entre 22 e 23 de novembro, Lula participa da Cúpula do G20 em Joanesburgo; no dia 24, cumpre agenda em Maputo, numa visita que combina diplomacia e negócios.
Em Joanesburgo, um dos pontos mais sensíveis da viagem será a reunião do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul), o grupo busca ampliar sua influência em debates. A conversa deve abordar temas que Lula tenta transformar em marca global, como a taxação dos super-ricos, defendida pelo Planalto como pilar de uma nova governança econômica. Mas o eixo mais delicado deve recair sobre os minerais críticos, insumo estratégico da transição energética e objeto de disputa cada vez mais intensa entre grandes potências.
A África do Sul, que preside o G20, conseguiu pela primeira vez levar ao bloco um texto estruturado sobre princípios para a extração e o beneficiamento desses minerais. O movimento atende a interesses diretos de Joanesburgo, mas também ecoa no Brasil.
Moçambique
Encerrada a agenda na África do Sul, Lula embarca para Maputo, onde participa de um jantar oficial na noite do dia 23. A sexta-feira, 24 de novembro, será dedicada integralmente à economia. Lula participa de um seminário empresarial que deve reunir entre 150 e 200 empresários, num esforço para destravar relações comerciais e identificar oportunidades em setores estratégicos como agronegócio, indústria, saúde.
Ainda no dia 24, Lula se reúne com presidentes africanos e recebe o título de Doutor Honoris Causa. No governo, a homenagem é tratada como reconhecimento da volta do Brasil ao debate internacional.

