O post do ministro André Mendonça elogiando a indicação de Jorge Messias para o STF foi daqueles raros momentos em que Brasília respira um pouco de boa educação política. Indicado por Bolsonaro, com visão de mundo bem diferente da de Messias, Mendonça poderia ter passado em branco. Preferiu a elegância: reconheceu publicamente o perfil do futuro colega, caso seja aprovado pelo Senado.
Do outro lado, Messias também mantém com Mendonça uma relação correta, institucional, republicana – e muito respeitosa. Em tempos de gritaria digital e patrulha ideológica 24 horas por dia, o gesto incomodou os radicais de plantão. Melhor assim: quando a civilidade irrita extremista, é sinal de que alguém está fazendo a coisa certa.
No fim do dia, o recado que fica é simples: dá para divergir, ter biografia e projeto político distintos – e ainda assim tratar o outro com respeito. Isso se chama política em versão adulta.

