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Geopolítica

Entenda por que EUA, China e governos da América do Sul acompanham as eleições brasileiras

Peso econômico e disputa por influência colocam a sucessão presidencial brasileira no radar de potências globais

Entenda por que EUA, China e governos da América do Sul acompanham as eleições brasileiras

Por ser a maior economia da América Latina, um dos principais exportadores de commodities do mundo e ator relevante em fóruns internacionais, o Brasil é acompanhado de perto por governos como os dos Estados Unidos e da China, além de países vizinhos que observam os possíveis impactos de uma mudança de governo sobre comércio, investimentos e política externa.

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O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador associado do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni) da Universidade de São Paulo (USP), Vinícius Guilherme Rodrigues Vieira, explica que Washington e Pequim aparecem no centro desse interesse devido à importância econômica do Brasil.

“Eu acho que os dois principais governos são dos Estados Unidos e China, porque são os nossos principais parceiros econômicos, além, claro, da União Europeia e também a Argentina”, destaca.

Mudanças políticas na região aumentam a atenção sobre o Brasil

O Brasilianista mostrou que a eleição de Keiko Fujimori no Peru ampliou o número de governos de direita na América do Sul.

Hoje, Argentina, Chile, Paraguai, Equador, Colômbia, Bolívia e Peru são governados por lideranças conservadoras ou de centro-direita, enquanto Brasil, Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela permanecem sob administrações de esquerda ou centro-esquerda.

Essa reorganização política modificou o equilíbrio ideológico do continente, mas não criou uma hegemonia regional.

Cada eleição continua sendo influenciada principalmente por fatores internos, embora o resultado brasileiro tenha potencial para alterar o peso político de cada bloco na América do Sul.

“Nós temos aqui, na questão da Argentina, o interesse, claro, de que o Brasil finalmente vá à direita. Acho que o Milei é mais ideológico que outros governantes”, avalia.

O pesquisador acrescenta que outros governos sul-americanos tendem a preservar a relação institucional com Brasília, independentemente do resultado das urnas, principalmente pela integração econômica existente entre os países.

Estados Unidos e China disputam influência sobre o Brasil

Além da dimensão regional, a eleição brasileira é acompanhada pelas duas maiores economias do planeta.

O Brasil integra o grupo dos principais parceiros comerciais da China, enquanto mantém relações econômicas, políticas e estratégicas relevantes com os Estados Unidos.

Para Vieira, essa posição torna o país um ator importante na atual disputa internacional por influência.

“O Brasil é visto como uma espécie de Estado pivô, potência média, que dependendo de que lado ele ficar, nisso que muitos chamam de nova guerra fria, nós podemos ter aqui uma divisão bastante forte”, afirma.

O especialista observa que essa disputa ocorre principalmente nos campos econômico, tecnológico e diplomático. Segundo ele, enquanto a China busca ampliar sua presença por meio do comércio, investimentos e infraestrutura, os Estados Unidos procuram fortalecer alianças políticas na região.

Ainda segundo Vieira, Washington adota uma visão mais rígida sobre alinhamentos internacionais.

“O governo americano tem muito essa percepção: ou estão comigo, Trump percebe dessa forma, ou quem não está totalmente alinhado a mim na América Latina é um inimigo”, explica.

Trump e Milei aparecem entre os líderes mais atentos à disputa

O interesse internacional não ocorre da mesma forma entre todos os governos. Segundo o especialista, a postura do presidente argentino Javier Milei possui forte componente ideológico, enquanto o governo norte-americano acompanha a eleição brasileira por razões estratégicas relacionadas à sua política externa para a América Latina.

O Brasilianista informou que, apesar do avanço da direita em diversos países sul-americanos, as pesquisas de intenção de voto indicam um cenário diferente no Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro em todos os cenários de segundo turno testados, apesar do avanço recente de governos de direita em parte da América do Sul.

Vieira avalia que o governo norte-americano pode buscar demonstrar preferência por um candidato alinhado aos seus interesses políticos.

“Isso tende a impactar bastante as nossas eleições, seja por meio de influências indiretas ou diretas, como Trump parece estar disposto a fazer a favor do candidato à direita, que liderar a disputa e que no momento é o senador Flávio Bolsonaro“, destaca.

O próximo governo terá o desafio de equilibrar as relações internacionais

Independentemente do resultado das eleições, o especialista considera que o principal desafio do futuro presidente será administrar simultaneamente as relações com diferentes centros de poder em um ambiente internacional marcado pela crescente competição entre Estados Unidos e China.

“Independentemente do vencedor, o grande desafio será de fato fazer valer essa posição do Brasil como uma potência média, uma potência capaz de fazer hedging, ou seja, de expandir o seu poder de barganha em relação às grandes potências”, afirma.

O pesquisador acrescenta que o aumento da rivalidade entre Washington e Pequim tende a ampliar as pressões por alinhamentos políticos e econômicos.

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