Nos bastidores do Congresso, a avaliação é quase unânime: a anistia só deve avançar de verdade após uma eventual prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Até lá, o tema segue como um “balão de ensaio”, líderes da direita mantêm uma estratégia já conhecida: anunciar, semana após semana, que a anistia será votada “em breve”.
A lógica não é exatamente a de prever o calendário, mas a de criar barulho, produzir pressão e tentar transformar a promessa em fato político. Na prática, é uma forma de empurrar a pauta para o centro da mesa, mesmo sabendo que, sem um gatilho externo, ela tende a continuar travada.
Foi nesse movimento que, nesta semana, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), voltou a dizer que está “otimista” e que a votação poderia ocorrer já na próxima semana. A declaração feita aos jornalistas acendeu alertas, mas, entre nos bastidores, prevaleceu a leitura de sempre: mais um capítulo da estratégia de insistir até que o ambiente se torne incontornável.
A urgência do PL da Anistia foi aprovada em setembro, na Camara dos Deputados, por 311 votos a favor, 163 contra e 7 abstenções. Desde então, o texto segue parado, apesar de ter sido tema de inúmeras reuniões de líderes.
Visita à Papuda
Em meio a esse cenário, quatro senadores aliados de Bolsonaro foram ao Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. A comitiva foi formada pela presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF), e pelos senadores Izalci Lucas (PL-MG), Eduardo Girão (Novo-CE) e Márcio Bittar (PL-AC).
No relatório produzido após a visita, os parlamentares afirmam ter ouvido de agentes e detentos relatos de “graves problemas” na alimentação, incluindo casos de “comida azeda” e falta de uma dieta minimamente balanceada. O documento também aponta a ausência de médicos.

