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Justiça

Quatro réus pela ação da trama golpista protocolam nova rodada de recursos no STF

Heleno, Garnier, Paulo Sérgio e Braga Netto apresentam diferentes estratégias para tentar alterar ou esclarecer suas condenações

Quatro réus pela ação da trama golpista protocolam nova rodada de recursos no STF

O processo que apura a trama golpista no Supremo Tribunal Federal entrou em um momento decisivo na última segunda-feira (24). De acordo com informações repercutidas pelo G1, quatro dos oito condenados apresentaram novas manifestações à Corte no último dia previsto para os chamados segundos embargos de declaração, recurso que antecede a análise sobre a viabilidade dos embargos infringentes.

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A etapa marca a reta final da tramitação. Caberá agora ao relator, ministro Alexandre de Moraes, avaliar se os pedidos devem seguir adiante ou se configuram tentativa de prolongar o processo, o que poderia antecipar o trânsito em julgado e permitir o início do cumprimento das penas.

Dois tipos de recursos entram na pauta

Segundo o veículo, os réus adotaram estratégias diferentes:

  • Embargos de declaração: usados para pedir esclarecimentos sobre decisões consideradas omissas ou contraditórias.
  • Embargos infringentes: recurso que busca reverter ou reduzir penas, mas só é admitido quando há ao menos dois votos pela absolvição — requisito que não ocorreu no julgamento realizado em setembro.

Apesar da limitação, parte dos condenados tenta acessar essa via recursal até o fim da semana, prazo estabelecido para esse tipo de pedido.

Quem recorreu e o que pediu ao STF

  1. Augusto Heleno: Embargos de declaração

O ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), solicitou que o STF detalhe pontos que, segundo sua defesa, não foram suficientemente explicados no acórdão. Os questionamentos incluem:

  • Qual teria sido sua participação direta na articulação golpista;
  • Como se estabeleceu o vínculo com outros acusados;
  • Por que ele foi incluído nos mesmos crimes atribuídos ao núcleo mais ativo.

Heleno também afirma que a decisão não demonstra atos concretos que o liguem ao crime de organização criminosa e alega falhas na dosimetria da pena.

  1. Paulo Sérgio Nogueira: Embargos de declaração

O ex-ministro da Defesa afirma que sua atuação foi estritamente institucional e que o acórdão teria ignorado justificativas formais apresentadas ao longo da investigação. Ele aponta:

  • Supostos equívocos na análise de reuniões relacionadas à minuta golpista;
  • Falhas na interpretação sobre seu envolvimento em atos preparatórios;
  • Ausência de fundamentação clara para o cálculo da pena e para a individualização da conduta.
  1. Almir Garnier: Embargos infringentes

Único réu que entrou diretamente com infringentes, Garnier solicita que o STF aceite o recurso mesmo sem votos favoráveis à sua absolvição, contrariando o entendimento consolidado da Corte. Ele pede absolvição, ou redução substancial da pena.

Garnier também sustenta que não participou de reuniões, não comandou movimentações militares e não praticou atos que demonstrassem adesão ao plano golpista.

  1. Walter Braga Netto: Embargos de declaração + embargos infringentes

Braga Netto adotou uma dupla estratégia nos embargos de declaração, solicita esclarecimentos sobre:

  • Os fundamentos que equiparam sua atuação à de Bolsonaro;
  • Quais atos teriam caracterizado a participação no crime;
  • Pontos específicos da dosimetria.

Paralelamente, apresentou embargos infringentes buscando reabrir a discussão sobre a condenação, embora o julgamento não tenha registrado votos pela absolvição — elemento que deve levar Moraes a rejeitar esse pedido.

Quem não recorreu

Não apresentaram recursos nesta fase:

  • Jair Bolsonaro
  • Anderson Torres
  • Alexandre Ramagem
  • Mauro Cid

A ausência de novos pedidos por parte de Bolsonaro permite que Moraes analise os recursos restantes, descarte manifestações consideradas protelatórias e, em seguida, declare o trânsito em julgado, etapa que encerra a discussão judicial e autoriza o início do cumprimento das penas.

Situação de Bolsonaro

O G1 também destaca que Bolsonaro permanece sob prisão preventiva na sede da Polícia Federal em Brasília por decisão de Moraes. A medida foi adotada após a PF apontar violação da tornozeleira eletrônica e risco de fuga. Essa prisão não está vinculada ao processo do golpe.

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