Uma movimentação tem redesenhado o mapa econômico da América do Sul. Enquanto o Uruguai se consolida como destino de alto interesse para milionários brasileiros e estrangeiros empenhados em proteger patrimônio e buscar segurança jurídica, o Paraguai vive o movimento oposto de atrair indústrias, startups e investidores produtivos.
Segundo reportagem da BBC News Brasil, o Paraguai aposta em energia hidrelétrica limpa e barata, proveniente das usinas de Itaipu e Yacyretá, para se tornar um hub tecnológico regional.
Agora o país ainda está investindo em um parque digital próximo ao aeroporto de Assunção, projetado para receber data centers e empresas de inteligência artificial, com apoio de universidades e do setor privado.
A iniciativa inclui a formação de profissionais, como programadores e engenheiras, com destaque para projetos como o Girls Code.
Paralelamente, o país intensifica esforços para atrair empresas exportadoras e reduzir custos operacionais. Dados apresentados pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) mostram que cerca de 70 empresas brasileiras participaram, em Joinville, de um encontro organizado pelo Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai.
O vice-ministro Javier Viveros destacou a combinação de energia de baixo custo, impostos reduzidos e políticas de incentivos como elementos centrais para transformar o país em destino competitivo para indústrias orientadas à exportação.
E no Uruguai?
Enquanto isso, no Uruguai, cresce o fluxo de famílias com alta renda líquida interessadas em obter residência fiscal e aproveitar o ambiente de estabilidade institucional.
Uma matéria do Seu Dinheiro mostrou que, desde 2020, sob o governo de Luis Lacalle Pou, o país implementou um pacote de incentivos que transformou seu território no destino mais competitivo da América do Sul para quem busca proteção patrimonial e previsibilidade jurídica.
Com um decreto que flexibilizou a residência fiscal, inaugurou-se uma nova fase para os milionários: basta permanecer 60 dias por ano no país e adquirir um imóvel de US$ 500 mil, ou investir US$ 2,2 milhões em negócios locais, para obter um “tax holiday” de onze anos sobre rendimentos no exterior.
Segundo a reportagem, após esse período, a tributação sobe para uma alíquota fixa de apenas 12%.
Donos de empresas como Nubank e Mercado Livre, citados pelo Seu Dinheiro, fizeram parte dessa nova leva de magnatas que passaram a ver o Uruguai como base fiscal permanente.
Reflexo disso é que, em 2024, o país alcançou PIB per capita de US$ 18,9 mil, mais que o dobro da média latino-americana, e um dos maiores IDHs do continente (0,862), consolidando o país como um hub de preservação patrimonial, onde estabilidade política, incentivos fiscais e um ambiente regulatório maduro se combinam para atrair e fixar a elite econômica regional e global.

