O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva de Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), por atrapalhar as investigações envolvendo o deputado estadual fluminense Thiego Raimundo dos Santos Silva, aliado de Bacellar conhecido como TH Joias e acusado de auxiliar o Comando Vermelho. A decisão atende a pedido da Polícia Federal.
Segundo a PF, Bacellar informou TH Joias sobre a Operação Zargun, deflagrada em 3 de setembro de deste ano, permitindo que Thiego e sua família esvaziassem o imóvel que habitavam na véspera da ação policial. O pedido foi feito pela Polícia Federal ao STF com base em mensagens trocadas pelos deputados estaduais sobre a investigação.
Às 06h03 de 3 de setembro TH Joias enviou a Bacellar a foto de um celular contendo as imagens do sistema de segurança do imóvel alvo da PF, com a equipe policial em seu interior, e compartilhou o telefone de sua advogada. A PF também cita o fato de o nome do presidente da Alerj aparecer como 01 nas mensagens trocadas com Thiego.
TH Joias e o CV
A Polícia Federal afirma que TH Joias atua na Alerj em prol do Comando Vermelho (CV), além de intermediar a compra de armas para a facção enfrentar a polícia. Segundo a PF, o deputado estadual é próximo aos principais líderes do CV: Edgar Alves de Andrade (conhecido como Doca e Urso) e Luciano Martiniano da Silva (conhecido como Pezão).
A proximidade com Doca e Pezão, continua a PF, existe devido ao relacionamento amoroso de Thiego com o traficante Gabriel Dias de Oliveira (conhecido como Índio do Lixão). Ainda de acordo com a Polícia Federal, a prisão de TH Joias mostrou a proximidade entre o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e a Alerj.
Logo após a prisão de TH Joias, Castro exonerou seu secretário de Esportes, Rafael Picciani — filho de Jorge Picciani, ex-presidente da Alerj preso em 2017 na Operação Cadeia Velha —, para que ele reassumisse a cadeira para qual foi eleito na Alerj. Thiego só assumiu como deputado estadual por conta da nomeação de Picciani para a Secretaria fluminense.
A PF afirma que a decisão de Castro foi “célere manobra regimental” para evitar que a Alerj tivesse que discutir a perda do mandato de TH Joias. Segundo a Policia Federal, essa “estratégia imediata de controle de danos”é um forte indício de que o vazamento de informações serviu para proteger políticos ligados ao Comando Vermelho.

