A Agência Nacional de Energia Elétrica decidiu nesta terça-feira (9) que 1º de janeiro de 2026 será considerada a data da efetiva interligação do sistema Boa Vista ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Embora a conexão tenha se concretizado em 16 de setembro de 2025, a formalização é essencial para a transição regulatória e tarifária.
A definição da data considerou a necessidade de um período transitório para resolver pendências técnicas e comerciais que impediam a declaração da efetiva interligação. A Aneel também considerou a necessidade de adequação ao planejamento dos processos tarifários, principalmente com a proximidade do reajuste anual da distribuidora Roraima Energia, em 25 de janeiro de 2026.
A agência determinou que as empresas geradoras de energia têm até 30 de junho de 2026 para concluir a implantação e operacionalização dos Sistemas de Medição para Faturamento (SMF). O mesmo prazo foi estabelecido para a conclusão da adesão, do cadastramento e da modelagem dos ativos na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A interligação do Sistema de Boa Vista, último sistema isolado no Brasil, começou em 2 de setembro de 2011. A demora de quase 15 anos para concluir o projeto é resultado de impasses legais e socioambientais, principalmente para construir linhas de transmissão no território indígena Waimiri Atroari.
Até a conclusão da interligação, a região enfrentou problemas de segurança energética porque boa parte do fornecimento de energia a Roraima, especialmente a capital Boa Vista, vinha do complexo hidrelétrico de Guri, na Venezuela. A crise econômica e política venezuelana deixava o estado sujeito à instabilidade no fornecimento de energia, com alta incidência de desligamentos totais.
O consumo não suprido pela Venezuela era complementado por termelétricas instaladas na região. Os custos operacionais dessas usinas são pagos com encargos cobrados na conta de luz todos os consumidores de energia do país.

