O noticiário econômico desta semana é marcado por uma combinação de pressão fiscal, turbulência no sistema financeiro regional e movimentos políticos com impacto direto na economia. A aprovação de um aumento bilionário de capital no Banco de Brasília (BRB), a preparação de um pacote federal para aliviar o bolso do consumidor e mudanças regulatórias em setores estratégicos, como energia e trabalho, desenham um cenário de incerteza e disputa de narrativas entre governo e mercado.
A crise envolvendo o BRB ganhou novos contornos após os acionistas aprovarem um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para cobrir perdas associadas a operações com o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo a Folha de S.Paulo, a medida teve apoio majoritário do governo do Distrito Federal, controlador do banco, mas enfrenta dúvidas centrais: não há definição clara sobre a origem dos recursos.
De acordo com o Estadão, o governo distrital tenta alternativas como empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e operações de securitização da dívida ativa, mas esbarra em limitações fiscais e questionamentos jurídicos. A União, por sua vez, resiste a participar do socorro, evidenciando restrições de crédito e confiança.
No campo jurídico, o caso se agrava. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já formou maioria parcial para manter a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, decretada pelo ministro André Mendonça, com apoio de Luiz Fux. Ainda faltam votos de Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes, enquanto Dias Toffoli se declarou impedido.
Segundo O Globo, Costa negocia um acordo de delação premiada e trocou sua equipe de defesa, movimento que pode ampliar o alcance político da investigação. Já Vorcaro, também preso, obteve autorização judicial para realizar exames médicos, em decisão sob sigilo, conforme a Folha.
No plano federal, o governo do presidente Lula acelera medidas econômicas para conter desgastes políticos. Segundo o Valor Econômico, está em preparação um pacote voltado a consumidores endividados, somando-se às ações recentes para segurar preços de combustíveis. O impacto fiscal já estimado dessas medidas pode chegar a R$ 34,6 bilhões até agosto.
Paralelamente, o Planalto tenta reposicionar sua agenda no Congresso. A chamada “operação de desmonte de danos”, segundo a Coluna do Estadão, busca transferir ao Legislativo o custo político de propostas impopulares, como a regulamentação de trabalhadores de aplicativos e a tributação de compras internacionais.
6X1
No Congresso, avança a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da jornada de trabalho 6×1. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou a admissibilidade do texto, relatado por Paulo Azi, em votação simbólica, segundo a Folha. A discussão agora segue para comissão especial, onde serão definidos pontos sensíveis como carga horária e eventuais compensações aos setores afetados.
No setor externo, o acordo entre Mercosul e União Europeia começa a produzir efeitos, com entrada em vigor provisória prevista para maio. Apesar de questionamentos no Parlamento Europeu, autoridades minimizaram riscos ao tratado, segundo O Globo, indicando expectativa de ratificação futura.
Já no setor energético, crescem os sinais de alerta. A possível cassação da concessão da Enel em São Paulo levanta temores sobre judicialização e impacto nas tarifas, conforme o Valor Econômico. Ao mesmo tempo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajustes tarifários que atingem cerca de 50 milhões de consumidores, tema sensível para o governo em meio ao ciclo eleitoral.
Ainda segundo a Folha, chegou a ser cogitado um empréstimo via BNDES para amortecer os reajustes, mas a proposta não avançou. Em paralelo, o governo aposta em soluções estruturais, como o incentivo a usinas hidrelétricas reversíveis, tecnologia de armazenamento de energia considerada estratégica para ampliar a segurança energética, conforme destacou O Globo.

