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Economia

Por que competir globalmente ainda é tão difícil para as empresas brasileiras?

Pesquisa detalha os fatores que mais dificultam a atuação das empresas e mostra por que o país segue perdendo espaço no cenário internacional

Por que competir globalmente ainda é tão difícil para as empresas brasileiras?

Os empresários industriais afirmam que a competição global fica cada vez mais distante diante de obstáculos que pressionam custos, desorganizam o ambiente de negócios e reduzem a capacidade de investimento. O levantamento encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Instituto de Pesquisas Nexus mostra que a carga tributária, a falta de trabalhadores qualificados e o financiamento caro são os principais fatores que travam a competitividade.

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Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados apontam que honrar tributos é o maior entrave. A dificuldade para contratar mão de obra qualificada aparece logo depois, citada por 62% das empresas. O financiamento do negócio é lembrado por 27%, seguido pela insegurança jurídica e regulatória (24%) e pela percepção de competição desigual (22%). Os dados foram obtidos em entrevistas realizadas entre 14 de julho e 07 de agosto de 2025, com 1.002 empresas de pequeno, médio e grande porte, em todas as regiões do país.

Pelas respostas, fica claro que a combinação de impostos altos, incertezas nas regras e dificuldade em formar trabalhadores cria um ambiente pouco favorável para competir com países mais desenvolvidos. Para muitos, essa estrutura empurra o custo de produção para cima e reduz a capacidade de crescer e exportar.

Obstáculos que travam a competitividade global

Os dados da pesquisa revelam que três fragilidades estruturais formam o núcleo da perda de competitividade do Brasil no cenário internacional. O primeiro é o peso dos tributos, apontado por 66% dos empresários como um fator que encarece a produção e reduz a capacidade de disputar espaço com países que operam com cargas menores e sistemas mais simples. O financiamento aparece no mesmo patamar, também com 66%, evidenciando que o crédito caro e difícil permanece como um bloqueio para expansão, modernização e ganho de escala, elementos essenciais para enfrentar concorrentes globais.

A dificuldade para encerrar ou retomar o negócio, citada por 60% dos entrevistados, completa esse conjunto de obstáculos. Segundo os empresários, o processo moroso e burocrático impede que as empresas ajustem rapidamente suas operações, o que reduz a agilidade, aumenta custos e enfraquece a posição do Brasil em mercados onde a resposta rápida é decisiva. 

E se nada mudar?

O receio dominante entre os entrevistados é que a falta de ação leve a um ciclo negativo para a economia. A possibilidade de aumento de falências e fechamento de empresas é apontada por 24%. Logo depois vêm a ameaça de crise e recessão, citada por 19%, e a perda de competitividade, mencionada por 10%.

As empresas também relatam que o Custo Brasil cresceu nos últimos três anos. Para 64% dos empresários, a pressão sobre os custos se intensificou, o que reforça a preocupação com o futuro. Quando o impacto aumenta, as empresas relatam mais dificuldade para manter preços baixos e competir tanto interna quanto internacionalmente.

Pode melhorar?

Apesar do cenário desafiador, os empresários acreditam que algumas mudanças poderiam destravar a competitividade. Uma delas seria reduzir processos trabalhistas ao nível de países como a Alemanha. Para 56% dos respondentes, isso levaria à criação de mais empregos. Outro ponto citado é a redução das taxas de juros: 77% afirmam que investiriam mais se os juros cobrados das empresas fossem cortados pela metade.

Segundo a CNI, melhorar o ambiente de negócios é um passo essencial para recuperar a eficiência produtiva. A entidade destaca que o país desperdiça anualmente o equivalente a 20% do PIB com problemas estruturais. “Todos os anos, jogamos fora mais de 20% do PIB brasileiro por não resolvermos dificuldades estruturais, como tributos, financiamento, qualificação de pessoas e infraestrutura. Esse é o preço do Custo Brasil”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. Ele questionou: “Qual país pode se dar ao luxo de desperdiçar tanto dinheiro?”.

Enfrentar esses entraves abre caminho para preços menores, melhor aproveitamento das cadeias produtivas e avanço da indústria no mercado externo. Para o vice-presidente da entidade, Léo de Castro, “precisamos reduzir o Custo Brasil para promover a competitividade da indústria e um ambiente de negócios mais eficiente”.

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