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Economia

Investir cada vez mais em segurança privada é nova realidade dos empresários

As organizações criminosas são o principal risco das operações hoje

Investir cada vez mais em segurança privada é nova realidade dos empresários

Empresários da indústria brasileira estão preocupados com o aumento no custo de produção com segurança. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que 81% afirmou que o problema de insegurança patrimonial contribui para o Custo Brasil.

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Quase metade (45%) dos empresários escutados no levantamento afirmam que o investimento em segurança encarece o produto final, enquanto 20% das indústrias já sofreram com roubos ou furtos de cargas, sendo que 68% das ocorrências são registradas em rodovias. Conforme informação levantada, os impactos afetam a competitividade entre indústrias, além de fomentar o mercado ilegal.

Nesse cenário, as empresas brasileiras precisam se apoiar em medidas relacionadas à infraestrutura e logística, além de segurança das informações. Para o CNI, é essencial investir na segurança, de modo que proteja vidas e os ativos, além de evitar prejuízos na operação e na reputação da companhia.

“Segurança privada é investimento. Quando você busca segurança para família, para o patrimônio, o objetivo é proteger algo valioso. Hoje, há riscos no país com segurança pública, muito pelo crescimento do crime organizado e por falta de leis. Para nós, como sociedade, todo o cuidado é necessário”, afirma Renato Alves, CEO da RS Serviços, empresa de especializada em soluções integradas de segurança, tecnologia e facilities para condomínios e empresas.

Os principais riscos de segurança de uma empresa

Patrícia Punder, advogada e especialista de gestão de riscos da Punder Advogados avalia que um dos principais desafios enfrentados atualmente pelas empresas está relacionado à exposição de suas cadeias de suprimentos, operações logísticas e estruturas patrimoniais a atividades ilícitas capazes de gerar perdas financeiras, interrupções operacionais e danos reputacionais relevantes.

“O roubo e o furto de cargas permanecem entre as ocorrências mais sensíveis, especialmente considerando que a própria pesquisa identificou que 20% das indústrias sofreram esse tipo de evento nos últimos cinco anos”, destaca.

Entretanto, a discussão contemporânea já não se limita ao patrimônio. Segundo ela, organizações passaram a conviver com riscos associados à infiltração do crime organizado em atividades econômicas legítimas, utilização de empresas para ocultação de recursos ilícitos, contaminação de cadeias de fornecimento, lavagem de dinheiro, fraude documental e utilização indevida de terceiros.

“Esse cenário ganha relevância adicional diante do movimento regulatório internacional que passou a tratar determinadas organizações criminosas brasileiras sob uma perspectiva de segurança nacional e combate ao terrorismo, elevando o nível de escrutínio esperado em processos de due diligence, monitoramento de parceiros comerciais, gestão de fornecedores e avaliação de beneficiários finais”, afirma a advogada.

O CEO da RS Serviços reforça que quanto mais “solto” fica o crime, maior a ameaça para qualquer organização.

“O mercado de segurança privada ele está muito alto, hoje representa alguns bilhões de reais e os riscos que envolvem. O mercado de segurança privada e principalmente na parte criminal, que quando você tem a arma de fogo, você tem um segurança que não é treinado, não é reciclado, ele pode representar um risco à organização”, revela.

Nesse contexto, a segurança empresarial passa a dialogar diretamente com Compliance, Governança Corporativa, Integridade, PLD/FT e gestão estratégica de riscos.

Ampliação do mercado de segurança privada

O crescimento das preocupações empresariais naturalmente impulsiona a demanda por mecanismos de proteção mais sofisticados. Quando parte significativa do setor produtivo identifica impacto financeiro decorrente da insegurança, observa-se uma ampliação dos investimentos destinados à prevenção, monitoramento e resposta a incidentes.

Punder, a advogada, explica que, na prática, isso significa maior contratação de serviços de vigilância patrimonial, inteligência corporativa, monitoramento logístico, rastreamento de cargas, gestão de crises, investigação corporativa, controles de acesso, proteção executiva e tecnologias voltadas à prevenção de perdas. Paralelamente, cresce a busca por estruturas capazes de identificar riscos que não são necessariamente visíveis sob a ótica tradicional da segurança física.

“Vejo também uma aproximação cada vez maior entre as áreas de segurança, Compliance, auditoria interna, jurídico e gestão de riscos. A proteção das organizações deixou de depender exclusivamente de barreiras físicas e passou a exigir mecanismos capazes de compreender relações societárias complexas, identificar vínculos ocultos, avaliar terceiros, monitorar operações sensíveis e detectar sinais de exposição a atividades ilícitas”, comenta.

Investindo em segurança sem comprometer operações

A pesquisa demonstra que uma parcela relevante das organizações já percebe impacto financeiro decorrente dos investimentos em proteção. Contudo, para os especialistas, a discussão não deve ser conduzida sob a lógica de escolher entre investir ou não investir em segurança.

“O verdadeiro desafio está em direcionar recursos de forma inteligente e proporcional aos riscos efetivamente existentes. Nem toda empresa necessita do mesmo nível de controle, da mesma estrutura de monitoramento ou da mesma intensidade de supervisão. O primeiro passo consiste em compreender onde estão as vulnerabilidades mais relevantes para cada operação”, afirma Punder.

Quando a ameaça está relacionada à atuação de facções criminosas, a situação se torna ainda mais complexa. A orientação correta, na visão da advogada, é buscar apoio das autoridades competentes e registrar formalmente os fatos.

“Entretanto, não podemos ignorar uma realidade conhecida por muitos empresários em determinadas regiões do país: o medo. Há organizações que convivem com extorsões, cobranças ilegais, ameaças a funcionários, interferências em rotas logísticas, imposições territoriais e outras formas de pressão que afetam diretamente a continuidade dos negócios”, pondera.

Em alguns casos, o receio não está apenas na ação dos grupos criminosos e facções, mas também na percepção de que o problema é maior do que a capacidade imediata de resposta do Estado. Esse sentimento leva muitas empresas a adotarem soluções de curto prazo, incluindo pagamentos ou concessões que parecem resolver a emergência do momento. O problema dessas medidas é que elas raramente encerram o risco. Ao contrário, costumam aumentar a dependência, ampliar a vulnerabilidade e criar ciclos de pressão.

Nesses cenários, os especialistas reiteram que a melhor alternativa passa pela construção de uma estratégia estruturada de proteção. Isso inclui avaliação criteriosa dos riscos, fortalecimento da segurança física e patrimonial, revisão das rotas e operações mais expostas, proteção de colaboradores, produção e preservação de evidências, atuação coordenada com especialistas e adoção de medidas capazes de reduzir a exposição da empresa sem comprometer sua sustentabilidade.

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