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Política

Projeto que reduz penas do 8 de Janeiro perde força no Senado; saiba o motivo

Se entrar em vigor, o texto pode reduzir significativamente o período em que Jair Bolsonaro ficaria em regime fechado

Projeto que reduz penas do 8 de Janeiro perde força no Senado; saiba o motivo

O projeto conhecido do PL da Dosimetria aprovado pela Câmara, que reduz as punições de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, passou a enfrentar forte resistência no Senado. Durante a reunião de líderes na última terça-feira (16), ganhou força a avaliação de que o texto precisa ser revisto ou até descartado, para que uma nova versão seja elaborada diretamente pelos senadores.

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A proposta, se mantida como está, diminuiria as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados. As informações são da Folha de São Paulo.

Por que o projeto travou?

O relator na CCJ, senador Esperidião Amin (PP-SC), deve apresentar seu parecer até esta quarta-feira (17). A expectativa inicial era aprovar o texto rapidamente e enviá-lo ao plenário, mas o cenário mudou.

Senadores de diferentes partidos, inclusive aliados de Bolsonaro, avaliam que o texto vindo da Câmara abre margem para que pessoas condenadas por crimes sem relação direta com o 8 de Janeiro também sejam beneficiadas. Para evitar isso, defendem ajustes mais profundos na proposta.

Só que qualquer alteração obriga o projeto a voltar para a Câmara, o que torna improvável a conclusão da tramitação ainda em 2025.

Rejeição do texto atual

Diante do impasse, ganha força um relatório alternativo do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele sugere rejeitar a proposta aprovada pelos deputados e iniciar um novo projeto do zero no Senado.

Em seu parecer, Vieira argumenta que é necessário diferenciar com precisão: os financiadores e líderes dos ataques, que tiveram papel de comando e as pessoas que participaram influenciadas pela multidão, sem capacidade organizativa. Segundo o senador, essa distinção evita injustiças e torna a legislação mais clara.

Resistência interna no Senado

A oposição, que deseja aprovar o texto rapidamente porque beneficia Bolsonaro e outros condenados, tenta manter o avanço do projeto. Mas governistas, especialmente os aliados do presidente Lula, trabalham para barrar o texto na CCJ ou, ao menos, adiar a discussão para 2026 por meio de pedido de vista.

Entre os críticos, está o líder do MDB, Eduardo Braga (AM), que afirmou: “Da forma como o projeto chegou ao Senado, não há condições de o MDB apoiar.” O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, até poderia levar a proposta diretamente ao plenário mesmo sem aval da CCJ, mas esse movimento é considerado improvável por seus aliados.

O que prevê o PL da Dosimetria?

Como já noticiado pelo O Brasilianista, o projeto diminui a pena dos condenados pelos atos que culminaram no ataque aos Três Poderes de 8 de janeiro de 2023. Entre os beneficiados pela medida, estão os condenados pelos núcleos de trama golpista, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo envolvimento no núcleo principal.

Há duas mudanças principais no Código Penal previstas no PL:

  • O crime de golpe de Estado, com pena de 4 a 12 anos, deve absorver a condenação por abolição violenta do Estado Democrático de Direito (de 4 a 8 anos);
  • Progressão do regime fechado após cumprir 1/6 da pena, ao contrário do 1/4 exigido atualmente.

Próximos passos

O relator Amin entrega seu parecer nesta quarta (17). A CCJ pode votar no mesmo dia. Se o texto for rejeitado na comissão, o Senado deve começar a discutir um novo projeto. Se aprovado, volta para a Câmara e dificilmente termina a tramitação este ano.

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