Depois de três anos dos atos de 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram os prédios da Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), a Polícia Civil do Distrito Federal revelou que um novo grupo planejava atentados contra políticos e prédios públicos na capital do país.
Reportagem do Fantástico mostrou que a organização eram de homens que não se conheciam pessoalmente, mas arquitetavam invasões e explosões ao Palácio do Planalto, mirando em diversos políticos, por meio da internet. Eles conversavam em grupos do aplicativo de mensagens Telegram e disseminavam discursos de ódio nos textos, indicando o que seria uma “revolução”.
As conversas foram monitoradas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que afirmou que um dos grupos tinha uma foto de Hitler como imagem de perfil. Um dos objetivos do grupo também era explodir o prédio em que o debate eleitoral dos candidatos a segundo turno irão discutir.
Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, as condutas não eram práticas inocentes, alertando que esses comportamentos não podem ser minimizados ou normalizados.
Os conteúdos e mensagens compartilhados apresentavam alto grau de planejamento de atos violentos mediante utilização de artefatos explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
Na última terça-feira (04), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados., em que foram interceptados computadores e celulares. Como havia risco do plano ser levado à frente, a avaliação é de que não seria necessário esperar antes de deflagrar a operação policial.
Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. A Polícia Civil ainda investiga os computadores e celulares apreendidos.
O projeto de ataques
Eram dois grupos. O maior deles tinha mais de 600 integrantes e, desses, os mais engajados na chamada “revolução” eram convidados a um grupo mais restrito, com 46 pessoas, para trocar instruções de como construir explosivos, coquetéis Molotov e desenvolvimento de artefatos explosivos.
Outras conversas ajudavam a calcular a quantidade de explosivos necessária para os ataques, bem como o custo financeiro deles. A investigação concluiu que os administradores das comunidades no Telegram tentavam identificar os usuários que estavam dispostos a cometer assassinatos.
O principal alvo era o prédio do Palácio do Planalto, além de invadir e explodir outros prédios públicos como ministérios, Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, entre outros. A intenção era enviar um recado violento e antidemocrático para todo o país.
Investigadores acreditam que o grupo tentaria tirar o plano do papel caso conseguisse manter a discrição por mais tempo.
As mensagens foram identificadas por investigadores do CyberLab, ferramenta do ministério que monitora pessoas que utilizam perfis anônimos para produzir e compartilhar conteúdo de ódio e incentivo à violência. Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, a internet representa um número muito expressivo das ocorrências criminais.
Condenação dos ataques de 8 de janeiro
Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — eleito em outubro de 2022 — invadiram a Paça dos Três Poderes e depredaram os prédios públicos buscando reivindicação pelo resultado das eleições presidenciais.
Os atos considerados antidemocráticos e golpistas geraram condenações por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), que já julgou mais de 800 pessoas envolvidas no caso. As penas variam de 1 ano de detenção para crimes leves até 17 anos e 6 meses de prisão para crimes graves como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Um dos presos pelo ataque é o ex-presidente Jair Bolsonaro, considerado culpado por atuar no núcleo principal da trama golpista. Ele foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

