O Ministério da Fazenda analisa um pedido de empréstimo apresentado pelos Correios que pode chegar a R$ 12 bilhões. A avaliação inclui um plano de reestruturação da estatal e deve ser concluída até sexta-feira. A operação busca garantir recursos para manter pagamentos essenciais, como salários e contratos com fornecedores.
Segundo o G1, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a proposta já está em exame técnico e que a documentação foi encaminhada com um plano detalhado de ajustes financeiros e administrativos.
“Já enviou. Já tá aqui, já enviou com plano de reestruturação. Nós estamos ultimando a análise do Tesouro para verificar a consistência do projeto e encaminhar”, disse Haddad.
Além da análise interna, a Fazenda tratou diretamente com bancos interessados em participar do financiamento. O objetivo foi assegurar que a operação siga as regras fiscais e respeite o limite máximo de juros definido pelo Tesouro Nacional.
“Também fizemos uma negociação com o pool de bancos que estariam dispostos a entrar no financiamento dentro das regras estabelecidas, pré-estabelecidas, sem romper o teto”, explicou.
Limite de juros e condições do crédito
O ministro não informou o percentual exato da taxa de juros, mas destacou que o teto já foi fixado. O Tesouro estabeleceu que não dará garantia a empréstimos com juros acima de 120% do CDI, parâmetro considerado aceitável pela equipe econômica.
“A taxa já tá negociada pela Fazenda, a taxa máxima já tá negociada com a Fazenda. E aí, com isso, o porte vai ficar dentro dos parâmetros que nós consideramos razoáveis”, afirmou.
Haddad também afastou, neste momento, a possibilidade de repasse direto de recursos da União para a estatal. “Aporte da União direto está descartado nesse momento”, disse.
Prazo curto e urgência financeira
Questionado sobre o tempo disponível para aprovação do crédito, o ministro reconheceu que o calendário é apertado. Ainda assim, ressaltou que a proposta vem sendo analisada há semanas pela equipe técnica.
Os Correios aguardam a liberação do empréstimo ainda nesta semana para assegurar o pagamento de funcionários e fornecedores, considerados compromissos imediatos da empresa.
“Se fechar a taxa corretamente, o plano for validado pelo Tesouro, tá feito. É pouco tempo, mas nós estamos trabalhando algum tempo já, algumas semanas, nesse projeto”, concluiu.
Histórico recente e situação da estatal
Antes da atual negociação, a empresa tentou viabilizar um empréstimo maior, de cerca de R$ 20 bilhões. A proposta, porém, não avançou porque previa juros de 136% do CDI, acima do limite aceito pelo Tesouro.
A situação financeira dos Correios se deteriorou nos últimos anos. O prejuízo registrado em 2023 foi de R$ 633 milhões, aumentou para R$ 2,6 bilhões em 2024 e, apenas entre janeiro e setembro de 2025, o déficit chegou a R$ 6 bilhões. A projeção indica que o resultado negativo pode alcançar R$ 10 bilhões até o fim do ano.
Diante desse cenário, o governo passou a discutir medidas de socorro. Entre elas estão a reestruturação interna, com programa de demissão voluntária, venda de imóveis e a contratação de crédito em valor menor que o inicialmente planejado.

