A última semana do ano legislativo em Brasília foi marcada por movimentações intensas no Executivo e no Legislativo, com desdobramentos que projetam tensões para 2026. Entre os principais fatos estão a troca no Ministério do Turismo, a aprovação polêmica do projeto de dosimetria das penas do 8 de janeiro, novas prisões no escândalo do INSS e a consolidação do cenário eleitoral nas pesquisas.
Reforma ministerial e aceno ao Centrão.
Ao final da última reunião ministerial do ano, o presidente Lula anunciou a saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo. O substituto será Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB). A nomeação tem dupla função política: melhorar a interlocução do governo com o União Brasil e reduzir resistências na bancada evangélica, da qual Feliciano é um dos coordenadores. A ala oposicionista do partido, contudo, deve manter o voto contrário ao governo em matérias sensíveis.
Dosimetria do 8 de janeiro divide a base governista.
O Senado aprovou, por 48 votos a 25, o projeto de lei que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos demais condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A expectativa é de veto presidencial, o que manterá o tema na agenda legislativa ao longo de 2026. Aliados do governo criticaram a condução do acordo pelo líder Jaques Wagner, que permitiu a votação do texto no plenário.
Ajuste fiscal avança no Senado
Em votação menos turbulenta, o Senado aprovou o projeto de lei que reduz em 10% os benefícios fiscais concedidos a empresas, além de aumentar a tributação sobre apostas esportivas, fintechs e Juros sobre Capital Próprio. Segundo a Fazenda, a medida deve elevar a arrecadação em cerca de R$ 20 bilhões, reduzindo riscos de cortes e contingenciamento no Orçamento de 2026.
Operação no INSS atinge o segundo escalão do governo
A Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos associativos no INSS. O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Cunha Portal, foi preso, e o senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi alvo de buscas. O caso ameaça a permanência do ministro Wolney Queiroz no cargo e recoloca o tema da corrupção no centro do debate político, com potencial de afetar a popularidade do presidente Lula.
Pesquisas consolidam polarização para 2026
Levantamentos dos institutos Quaest e AtlasIntel divulgados nesta semana mostram o presidente Lula na liderança das simulações de primeiro e segundo turno para 2026. O senador Flávio Bolsonaro aparece como segundo colocado e desponta como principal adversário do petista em um eventual segundo turno. Nos cenários em que Flávio não figura como candidato, o governador Tarcísio de Freitas mantém-se competitivo, beneficiado pela volatilidade do cenário eleitoral.
PF apura cota de Sóstenes e Jordy
A Polícia Federal identificou indícios de uso irregular da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar nos gabinetes dos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ), com suspeita de reembolso de despesas que não teriam ocorrido. Segundo o G1, as conclusões constam na decisão de Flávio Dino, ministro do STF , que autorizou a Operação Galho Fraco, deflagrada nesta sexta-feira (19), com cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos parlamentares, assessores e empresas investigadas. Segundo a PF, servidores comissionados teriam participado do esquema, que envolveria empresas de fachada usadas para simular a legalidade das contratações.
Conforme o despacho do ministro, os investigadores apontam que valores da cota parlamentar eram sacados e depositados de forma fracionada, abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, além de diálogos que indicariam pagamentos não registrados. A PF também relatou ao STF a movimentação de mais de R$ 27 milhões, entre 2023 e 2024, por assessores do PL e familiares, com parte relevante sem origem ou destino identificados, segundo o órgão.
A operação é um desdobramento da Rent a Car, iniciada em dezembro do ano passado, e apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Carlos Jordy afirmou nas redes sociais que é alvo de perseguição; Sóstenes Cavalcante limitou-se a publicar no X (antigo Twitter): “O Brasil precisa saber é quem é o filho do rapaz…”.
O Brasil precisa saber é quem é o filho do rapaz…
— Sóstenes Cavalcante (@DepSostenes) December 19, 2025

